(ENEM - 2021)
Vocês que fazem parte dessa massa
Que passa nos projetos do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais do que receber
Ê, ô, ô, vida de gado
Povo marcado
Ê, povo feliz!
ZÉ RAMALHO. A peleja do diabo com o dono do céu. Rio de Janeiro: Sony, 1979 (fragmento)
Qual comportamente coletivo é criticado no trecho da letra da canção lançada em 1979?
Militância política.
Passividade social.
Atruísmo religioso
Autocrontrole moral.
Inconformismo eleitoral.
(ENEM - 2021)
TEXTO I
Portadoras de mensagem espiritual do passado, as obras monumentais de cada povo perduram no presente como o testemunho vivo de suas tradições seculares. A humanidade, cada vez mais consciente da unidade dos valores humanos, as considera um bem comum e, perante as gerações futuras, se reconhece solidariamente responsável por preservá-las, impondo a si mesma o dever de transmití-las na plenitude de sua autenticidade.
Carta de Veneza, 31 de maior de 1964. Disponível em: www.ipham.gov.br. Acesso em: 7 out. 2019.
TEXTO II
Os sistemas tradicionais de proteção se mostram cada vez menos eficientes diante do processo acelerado de urbanização e transformação de nossa sociedade. A legislação de proteção peca por considerar o monumento, até certo ponto, desvinculado da realidade socioeconômica. O tombamento, ao decretar a imutabilidade do monumento, provoca a redução de seu valor venal e o abandono, o que causa, ainda que lenta, de destruição inevitável.
TELLES, L.S. Manual do patrimônio histórico. Porto Alegre; Caxias do Sul: Escola Superior de Teologia São Lourenço de Brindes, 1977 (adaptado).
Escritos de temporalidade histórica aproximada, os textos se distanciam ao apresentarem pontos de vista diferentes sobre a(s)
ampliação do comércio de imagens sacras.
substituição de materiais de valor artístico.
políticas de conservação de bens culturais.
defesa da privatização de sítios arqueológicos.
medidas de salvaguarda de peças museológicas.
(ENEM - 2021)
Durante os anos de 1854-55, o governo brasileiro — por meio de sua representação diplomática em Londres — e os livre-cambistas ingleses — nas colunas do Daily News e na Câmara dos Comuns — aumentaram a pressão pela revogação de lei de Aberdeen. O governo britânico, entretanto, ainda receava que, sem um tratado anglo-brasileiro satisfatório para substituí-la, não haveria nada que impedisse os brasileiros de um dia voltarem aos velhos hábitos.
BETHELL, L. A abolição do comércio brasileiro de escravos. Brasília: Senado Federal, 2002 (adaptado).
As tensões diplomáticas expressas no texto indicam o interesse britânico em
estabelecer jurisdição conciliadora.
compartilhar negócios marítimos.
fomentar políticas higienistas.
manter a proibição comercial.
promover o negócio familiar.
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TEXTO I

TEXTO II
A repugnante tarefa de carregar lixo e os dejetos da casa para as praças e praias era geralmente destinada ao único escravo da família ou ao menor status ou valor. Todas as noites, depois da dez horas, os escrevos conhecidos popularmente como "tigres" levavam tubos ou barris de excremento e lixo sobre a cabeça pelas ruas do Rio.
KARASCH, M. C. A vida dos escravos no Rio de Janeiro, 1808 - 1850. Rio de Janeiro: Cia das Letras. 2000.
A ação representada na imagem e descrita no texto evidencia uma prática do cotidiano nas cidades no Brasil nos séculos XVIII e XIX caracterizada pela
valorização do trabalho braçal.
reiteração das hierarquias sociais.
sacralização das atividades laborais.
superação das exclusões econômicas.
ressignificação das heranças religiosas.
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Escravo fugido. Jornal Correio Paulistano, 13 de abril de 1879. Disponível em: http://bndigital.bn.gov.br. Acesso em: 2 ago. 2019 (adaptado)
No anúncio publicado na segunda metade do século XIX, qual estratégia de resistência escrava apresentada?
Criação de relações de trabalho.
Fundação de territórios quilombolas.
Suavização da aplicação de normas.
Regularização das funções remuneradas.
Constituição de economia de subsistência.
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Nem guerras, nem revoltas. Os incêndios eram o mais frequente tormento do Regnum Italicum. Entre 880 e 1080 as cidades estiveram completamente entregues ao apetite das chamas. A certa altura, a documentação parece vencer pela insistência do vocabulário, levando até o leitor mais crítico a cogitar que os medievais tinham razão ao tratar aqueles acontecimentos como castigos que antecederam o julgamento final. Como o quinto cavaleiro apocalíptico, o incêndio agia ao feitio da peste ou da fome: vagando mundo afora, retornava de tempos em tempos e expurgava justos e pecadores num tormanto derradeiro, como insistiam os texto do século X. O impacto acarretado sobre as relações sociais era imediato e prolongava-se para além da destruição material. As medidas proclamadas pelas autoridades faziam mais do que reparar os danos e reconstruir a paisagem: elas convertiam a devastação em uma ocasião para alterar e expandir não só a topografia urbana, mas as práticas sociais até então vigentes.
RUST, L. D. Uma Calamidade Insaciável. Rev. Bras. Hist, n 72, maio-ago. 2016 (adaptado)
De acordo com o texto, a catástrofe descrita impactava as sociedades medievais por proporcionar a :
correção dos métodos preventivos e das regras sanitárias
revelação do descaso público e das degradaçoes ambientais
transformação do imaginário popular e das crenças religiosas
remodelação dos espaços políticos e das administrações locais
reconfiguração dos espaços ocupados e das dinâmicas comunitárias
(ENEM - 2021)
Quando Getúlio Vargas se suicidou, em agosto de 1954, o país parecia à beira do caos. Acuado por uma grave crise política, o velho líder preferiu uma bala no peito à humilhação de aceitar uma nova deposição, como a que sofrera em outubro de 1945. Entretanto, ao contrário do que imaginavam os inimigos, ao ruído do estampido não se seguiu o silêncio que cerca a derrota.
REIS E FILHO, D. A. O estado à sombra de Vargas. Revista Nossa História, n. 7, maio 2004.
O evento analisado no texto teve como repercussão imediata na política nacional a
reação popular.
intervenção militar.
abertura democrática.
campanha anticomunista.
radicalização oposicionista.
(ENEM - 2021) O governo Vargas, principalmente durante o Estado Novo (1937 - 1945), pretendeu construir um Estado capaz de criar uma nova sociedade. Uma dimensão-chave desse projeto tinha no território seu foco principal. Não por acaso, foram criadas então instituições encarregadas de fornecer dados confiáveis para a ação do governo, como o Conselho Nacional de Geografia, o Conselho Nacional de Cartografia, o Conselho Nacional de Estatística e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), este de 1938.
LIPPI, L. A conquista do oeste. Disponível em http://cpdoc.fgv.br. Acesso em: 7 nov. 2014 (adaptado)
A criação dessas instituições pelo governo Vargas representava uma estratégia política de
levantar informações para a preservação da paisagem dos sertões.
controlar o crescimento exponencial da população brasileira.
obter conhecimento científico das diversidades regionais.
conter o fluxo migratório do campo para a cidade.
propor a criação de novas unidades da federação.
(ENEM 2021)
TEXTO I
Macaulay enfatizou o glorioso acontecimento representado pela luta do Parlamento contra Carlos I em prol da liberdade política e religiosa do povo inglês; significou o primeiro combate em favor do Iluminismo e do Liberalismo.
ARRUDA, J. J. A. Perspectivas da Revolução Inglesa. Rev. Bras. Hist., n. 7, 1984 (adaptado)
TEXTO II
A Revolução Inglesa, como todas as revoluções, foi causada pela ruptura da velha sociedade, e não pelos desejos da velha burguesia. Na década de 1640, camponeses se revoltaram contra os cercamentos, tecelões contra a miséria resultante da depressão e os crentes contra o Anticristo a fim de instalar o reino de Cristo na Terra.
HILL, C. Uma revolução burguesa? Rev. Bras. Hist., n. 7, 1984 (adaptado)
A concepção da Revolução Inglesa apresentada no Texto II diferencia-se da do Texto I ao destacar a existência de
pluralidade das demandas sociais.
homogeneidade das lutas religiosas.
unicidade das abordagens históricas.
superficialidade dos interesses políticos.
superioridade dos aspectos econômicos.
(ENEM - 2021)
Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova - 1932
A Educação Nova, alargando a sua finalidade para além dos limites das classes, assume, com uma feição mais humana, a sua verdadeira função social, preparando-se para formar a "hierarquia democrática" pela "hierarquia das capacidades", recrutadas em todos os grupos sociais, a que se abrem as mesmas oportunidades de educação. Ela tem, por objeto, organizar e desenvolver os meios de ação durável com o fim de "dirigir os desenvolvimentos natural e integral do ser humano em cada uma das etapas de seu crescimento", de acordo com uma certa concepção do mundo.
Disponível em: www.histedbr.fe.unicamp.br. Acesso em 7 out. 2015
Os autores do manifesto citado procuravam contrapor-se ao caráter oligárquico da sociedade brasileira. Nesse sentido, o trecho propõe uma relação necessária entre
ensino técnino e mercado de trabalho.
acesso à escola e valorização do mérito.
ampliação de vagas e formação de gestores.
disponibilidade de financiamento e pesquisa avançada.
remuneração de professores e extinção do analfabetismo.
(ENEM - 2021)
Eu, Dom Joao, Pela graça de Deus, faço saber a V. Mercê que me aprouve banir para essa cidade vários ciganos - homens, mulheres, e crianças - devido ao seu escandaloso procedimento neste reino. Tiveram ordem de seguir em diversos navios destinados a esse porto e, tendo eu proibido, por lei recente, o uso da sua língua habitual, ordeno a V. Mercê que cumpra essa lei sob ameaça de penalidades, não permitindo que ensinem dita língua a seus filhos, de maneira que daqui por diante o seu uso desapareça.
TEIXEIRA, R. C. Hístória dos ciganos no Brasil. Recife. Núcleo de Estudos Ciganos, 2008.
A ordem emanada da Coroa portuguesa para sua colônia americana, em 1718, apresentava um tratamento da identidade cultural pautado em
converter grupos infiéis à religião oficial.
suprimir formas divergentes de interação social.
evitar envolvimento estrangeiro na economia local.
reprimir indivíduos engajados em revoltas nativistas.
controlar manifestações artísticas de comunidades autóctones.
(ENEM - 2021)
Por que o Brasil continuou um só enquanto a América espanhola se dividiu em vários paises?
Para o historiador brasileiro José Murilo de Carvalho no Brasil, parte da sociedade era muito mais coesa ideologicamente do que a espanhola. Carvalho argumenta que isso se deveu à tradição burocrática portuguesa. "Portugal nunca permitiu a criação de universidades em sua colônia". Por outro lado, na Ámerica espanhola, entre 1772 e 1872, 150 mil estudantes se formaram em universidades locais. Para o historiador mexicano Alfredo Ávila Rueda, as universidades na América espanhola eram, em sua maioria, reacionárias. Nesse sentido, o historiador mexicano diz acreditar que a livre circulação de impressos (jornais, livros e panfletos) na América espanhola, que não era permitida na América portuguesa (a proibição só foi revertida em 1808), teve função muito mais importante na construção de regionalismos do que propriamente as universidades.
BARRUCHO, L. Disponível em: www.bbc.com. Acesso em 8 set. 2019 (adaptado).
Os pontos de vista dos historiadores referidos no texto são divergentes em relação ao
papel desempenhado pelas instituições de ensino na criação das múltiplas identidades.
controle exercido pelos grupos de imprensa na centralização das esferas administrativas.
abandono sofrido pelas comunidades de docentes na concepção de coletividades políticas.
lugar ocupado pelas associações de acadêmicos no fortalecimento das agremiações estudantis.
protagonismo assumido pelos meios de comunicação no desenvolvimento das nações alfabetizadas.
(ENEM - 2021) Desde o século XII que a cristandade ocidental era agitada pelo desafio lançado pela cultura profana - a dos romances de cavalaria, mas também a cultura folclórica dos camponeses e igualmente a dos citadinos, de caráter mais jurídico - à cultura eclesiástica, cujo veículo era o latim. Francisco de Assis veio alterar a situação, propondo aos seus ouvintes uma mensagem acessível a todos e, simultaneamente, enobrecendo a língua vulgar através do seu uso na religião.
VAUCHEZ, A. A espiritualidade da Idade Média Ocidental, séc. VIII-XIII. Lisboa: Estampa, 1995.
O comportamento desse religioso demonstra uma preocupação com as características assumidas pela Igreja e com as desigualdades sociais compartilhada no seu tempo pelos (as)
senhores feudais.
movimentos heréticos.
integrantes das Cruzadas.
corporações de ofícios.
universidades feudais.
(ENEM - 2021) De um lado, ancorados pela prática médica europeia, por outro, pela terapêutica indígena, com seu amplo uso da flora nativa, os jesuítas foram os reais iniciadores do exercício de uma medicina híbrida que se tornou marca do Brasil colonial. Alguns religiosos vinham de Portugal já versados nas artes de curar, mas a maioria aprendeu na prática diária as funções que deveriam ser atribuídas a um físico, cirurgião, barbeiro ou boticário.
GURGEL, C. Doenças e curas, o Brasil nos primeiros séculos. São Paulo. Contexto, 2010 (adaptado).
Conforme o texto, o que caracteriza a construção da prática medicinal descrita é a
adoção de rituais místicos.
rejeição dos dogmas cristãos.
superação da tradição popular.
imposição da farmacologia nativa.
conjugação de saberes empíricos.
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