quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Pandemia deverá aumentar evasão escolar em Araci. O que Keinha e todos nós podemos fazer?

Arôvel Lima
Professor, escritor e historiador 


A pandemia trará grandes prejuízos para a educação. Ainda não podemos mensurar o tamanho do impacto na educação do município de Araci mas devemos, desde já, refletir sobre essa questão e buscar alternativas que possam amenizar os efeitos negativos causados. Um dos problemas sérios é a evasão escolar no município de Araci que poderá aumentar  significativamente. Eu (Arôvel) já ouvir jovens de quatorze anos, morador de comunidade rural, filho de trabalhadores do sisal, dizer que não vai estudar mais depois da pandemia. Certamente, muitos outros alunos que já estavam com distorção de idade-série pensam na desistência do retorno as aulas. Um ano perdido na escola torna-se mais agravante quando o jovem ver que logo vai precisar trabalhar e, infelizmente, opta pelo caminho mais difícil abandonando os estudos. É preciso está atento a isso e auxiliar os jovens na continuidade  estudos. 

Essa matéria tem a intenção de fazer pensar a educação levando em conta os dados estatísticos e os agravantes que interferem na permanência do jovem na escola. As autoridades do município, profissionais da educação e pais dos alunos devem refletir e contribuir para virar o jogo em favor na educação mantendo a luz no fim do túnel acessa como esperança para todos os jovens conseguirem melhor qualidade de vida objetivando os estudos hoje e sempre.

Em 2005, o município de Araci tinha matriculado no ensino fundamental 17.809 estudantes. Já em 2018, o quantitativo de alunos no ensino fundamental caiu para 9.357. Com isso, muitas escolas em comunidades pequenas foram fechadas, seguindo alguns critérios, até mesmo para evitar a mistura de alunos de séries diferentes na mesma turma. A centralização da educação em regionais atende também a critérios de redução de gastos e, por outro lado, é possível o município ofertar melhores condições de ensino e estruturas para os alunos.

Tabela mostra diminuição do quantitativo de alunos no município de Araci por N fatores, entre eles, pela menor taxa de fecundidade familiar. Os demais fatores não são naturais e requer atenção.

Araci - IBGE


O cenco do IBGE de 2010, quando a população de Araci era de 41.569 habitantes, constatou que somente 4.064 pessoas tinham o nível médio completo e mais 582 com nível superior completo. Muito pouco para a dimensão populacional do 41º município mais populoso da Bahia. Chama a atenção o fato de que somente 8.692 aracienses tinham pelo menos o Ensino Fundamental completo. Outros 27 mil aracienses com mais de 15 anos, não tinham o ensino fundamental completo. Grande parte  desses, eram analfabetos.

Em 2010, a taxa de escolarização de Araci para crianças de 6 a 14 anos é considerada ideal com 97,4% das crianças e jovens estudando. O problema encontra-se, sobretudo nos  finais do Ensino Fundamental e ingresso no Ensino Médio. Percebe-se que a transição do Ensino Fundamental para o Ensino Médio em Araci apresenta números relativamente preocupantes. Nessa transição, há muita evasão escolar. Para isso, deve-se analisar diversos fatos, entre eles, jovens que concluiu o Ensino Fundamental “fora da idade ideal para idade/série” bem como a centralização do Ensino Médio em poucas unidades para um município com grande extensão territorial.

A distorção idade-série eleva-se à medida que se avança nos níveis de ensino. Entre os alunos do Ensino Fundamental em Araci, 60,1% estão com idade superior à recomendada. Ou seja, deveriam iniciar os estudos mais cedo, sem haver desistência ou interrupção e até menos reprovação.

 SUGESTÕES:

·    1. Precisa ter mais escolas na zona rural com oferta do Ensino Médio;

·     2. A Prefeitura deve ofertar turmas de Ensino Fundamental também no turno da noite tanto na sede como em algumas comunidades para diminuir a desistência dos jovens que estão fora da idade escolar e chegam aos 16 anos ainda sem ter concluído o Ensino Fundamental. Muitos deles precisam trabalhar e/ou constituem família e, assim, abandonam os estudos.

3. Desenvolver programas de primeiro emprego e estágios remunerados no erário público. 

·        Vamos pensar e contribuir... Quais as suas sugestões?

SOBRE O ANALFABETISMO

O início do novo milênio, marcado pelo desenvolvimento tecnológico, ainda traz números entristecedores e vergonhosos, apontando que em Araci existiam quase vinte mil analfabetos equivalente a 44,3% da população. Não dispomos aqui dos dados referente ao censo de 2010 que, salvo engano, ainda contava cerca de 30% de aracienses que não sabiam ler e escrever. Em 2020, não tivemos o Censo do IBGE. Esperamos que possamos pensar a educação com mais sabedoria e atenção para, assim, minorar os números futuros. Veja o histórico do analfabetismo em Araci na tabela a seguir.

CENSO

1970

1980

1991

2000

População Total

23.661

32.225

45.341

47.584

Analfabetismo

69,5 %

67,5 %

59,0 %

44,3 %

Na Bahia, em 2018, 12,7% das pessoas de 15 anos ou mais de idade eram analfabetas. No Brasil, a taxa de analfabetismo é 6,8%. Provavemente, ainda temos mais de 20% da população de Araci de ANALFABETOS.

Curiosamente, a conclusão a que chegamos é que o grande desafio que ainda se põe para o Brasil em termos educacionais ao ingressar no século XXI, nos vem do século XIX. Trata-se da tarefa de organizar e instalar um sistema de ensino capaz de universalizar o ensino fundamental e, por esse caminho, erradicar o analfabetismo. 

A Constituição de 1988 estabeleceu, nas Disposições Transitórias, o prazo de dez anos para o cumprimento dessas duas metas. Os dez anos se passaram e agora, em decorrência da Emenda Constitucional de número 14 e da nova LDB, está se procurando fixar no Plano Nacional de Educação, mais dez anos para se atingir essas mesmas metas. Corremos, assim, o risco de, daqui a dez anos, estarmos concedendo mais uma década para realizar aquilo que os principais países fizeram a partir do final do século XIX e início do século XX. 

Fontes: IBGE e FAVENI.


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