O
sistema eleitoral brasileiro para o preenchimento de vagas no legislativo é
organizado através de quociente eleitoral e não por maioria simples de votos.
Dessa forma, não necessariamente os 15 vereadores mais votados são eleitos. O Tribunal
Superior Eleitoral adota o sistema de quociente partidário onde os votos
nominais, dados aos vereadores, e mais os votos na legenda são contabilizados
para formar o quociente eleitoral onde são divididos o total de votos válidos
pelo total de cadeiras na câmara.
Sendo assim, na eleição
municipal de 2020 em Araci, faz-se as seguintes observações: Foram registrados 29.440 votos válidos (voto
nominal + voto na legenda). Esse total foi dividido por 15 vagas na câmara
dando o quociente eleitoral de 1.962,6 votos. Seguindo-se a regra de arredondamento especificada temos um
quociente eleitoral de 1.963. Ou seja, cada partido precisou ter 1.963
votos para eleger um candidato.
Obedecendo
esses critérios, foram preenchidas diretamente 13 vagas, cabendo à vereadora
Edneide a 13ª vaga mesmo ela tendo ficado na 17ª posição na lista dos mais
votados. O fato é que o PT elegeu Edneide e sobraram 817 votos. Até mesmo com
558 votos, Edneide ainda seria eleita,
bastando superar o seu suplente Nandinho que teve 557 votos.
|
|
Votos
válidos |
Quociente
eleitoral |
Quociente
partidário |
Vagas
obtidas |
Votos
restantes |
|
PDT |
12.937 |
1.963 |
6,59 |
6 |
1.159 |
|
PSD |
6.263 |
1.963 |
3,19 |
3 |
374 |
|
PODEMOS |
4.194 |
1.963 |
2,13 |
2 |
268 |
|
PROS |
3.110 |
1.963 |
1,58 |
1 |
1.147 |
|
PT |
2.780 |
1.963 |
1,41 |
1 |
817 |
|
PSL |
156 |
1.963 |
0,07 |
0 |
- |
|
|
|
|
|
13 |
|
Distribuição das sobras
A distribuição das sobras, ou método das Médias, é
a forma como se distribuem as cadeiras que não puderam ser preenchidas pelo
quociente eleitoral nas eleições proporcionais brasileiras. O Código eleitoral
brasileiro define:
I
- dividir-se-á o número de votos válidos atribuídos a cada partido ou coligação
pelo número de lugares definido para o partido pelo cálculo do quociente
partidário do art. 107, mais um, cabendo ao partido ou coligação que apresentar
a maior média um dos lugares a preencher, desde que tenha candidato que atenda
à exigência de votação nominal mínima.
Ou seja, para cada partido deve-se calcular a
média M = Qp / (Cadeiras conquistadas + 1). O partido que obtiver o
maior valor de média obterá a primeira cadeira da sobra. Os valores são então
recalculados, ajustando o número de cadeiras do partido que ganhou a sobra, até
que não haja mais sobras.
As 2 cadeiras
que sobraram foram selecionadas pelos critérios secundários, além do quociente partidário:
Primeira
vaga das sobras
|
Legenda
|
Quociente
partidário* |
Quociente
eleitoral |
Vagas
obtidas |
Média |
Sobra
|
|
PDT |
12.937/1963 |
1.963 |
6 |
12.937
/ 6 + 1=1.848 |
SIM*** |
|
PSD |
6.263/1963 |
1.963 |
3 |
6.263 / 3 + 1=1.566** |
|
|
PODE |
4.194/1963 |
1.963 |
2 |
4.194 / 2 + 1=1.398 |
|
|
PROS |
3.110/1963 |
1.963 |
1 |
3.110 / 1 + 1=1.555 |
|
|
PT |
2.780/1963 |
1.963 |
1 |
2.780 / 1 + 1=1.390 |
|
|
PSL |
156/1963 |
1.963 |
0 |
156 / 0 + 1= 156 |
|
|
|
|
|
13 |
|
|
*Quociente partidário – total de votos válidos
no partido dividido pelo quociente eleitoral.
** Arrendondado para mais.
*** Como o PDT teve a maior média, (1.848 votos) ficou
com a primeira vaga de sobra. O candidato beneficiado com essa regra eleitoral
foi o vereador Guinha de Pascoal, 7º mais votado no partido.
Essa
eleição foi diferente das demais. Não se conhece outra eleição, até então, em
que tenham sobradas duas vagas para serem preenchidas por votos restantes do
quociente eleitoral. Deve-se isso, sobretudo, pela grande votação puxada pelo
PDT quando lançou 23 candidatos. Foi uma excelente estratégia do prefeito Silva
Neto e articuladores do PDT.
Segunda
vaga das sobras
|
Legenda |
Quociente
partidário |
Quociente eleitoral |
Vagas
obtidas |
Média |
Sobra
|
|
PDT |
12.937/1963 |
1.963 |
6+1 |
12.937
/ 7 + 1=1.617 |
SIM* |
|
PSD |
6.263/1963 |
1.963 |
3 |
6.263 / 3 + 1=1.566 |
|
|
PODE |
4.194/1963 |
1.963 |
2 |
4.194 / 2 + 1=1.398 |
|
|
PROS |
3.110/1963 |
1.963 |
1 |
3.110 / 1 + 1=1.555 |
|
|
PT |
2.780/1963 |
1.963 |
1 |
2.780 / 1 + 1=1.390 |
|
|
PSL |
156/1963 |
1.963 |
0 |
156 / 0 + 1= 156 |
|
|
|
|
|
14 |
|
|
*
Por uma pequena diferença o PDT também ficou com a segunda vaga da sobra e
conseguiu eleger 8 vereadores. Um feito inigualável, até então, na história de
Araci e difícil de ser superado. O ‘sortudo’ foi o vereador Virgílio que ficou
com a 15ª vaga e conseguiu a reeleição. Depois do PDT, o partido que chegou
mais próximo de conseguir esta segunda vaga da sobra foi o PROS, precisando somente de mais 126 votos para fazer
dois vereadores e eleger o novato Félix da Barreira.
Em
outra análise, se o PDT tivesse 400 votos a menos, a 15ª vaga seria do PSD. Mais
uma vez, o “excesso” de candidatos no PDT foi primordial na estratégia para
fazer maior número de vereadores. Parabéns, Silva Neto! Foi um ótimo
estrategista político. Por outro lado, o PDT só conseguiu a 8ª vaga devido o
grande número de votos na legenda. Obteve 1.104 votos na legenda para vereador
(muita coisa!). Basicamente, os votos de legenda foram obtidos por erros na
ordem de votação quando o eleitor votou primeiro para Keinha digitando o 12 da
legenda partidária ou mesmo quando errou o número do candidato da legenda 12.
Já
a estratégia do grupo de Nenca foi vexatória. Uma total falta de articulação
política. O PODEMOS só conseguiu eleger dois vereadores com um pequena margem
de sobra. Somente 268. Mas não correu
riscos de eleger somente Léo de Eridan. A falta de mais candidatos no
partido respingou sobre o vereador Roberto do Sem Freio que ficou na terceira
colocação na legenda e e não superou
Luizinho do Boa por somente 46 votos. Luizinho apenas substitui seu pai
Luiz do Boa. Foi incompetência mesmo, o grupo ter perdido um vereador
enfraquecendo, assim, a oposição.
Pesou contra Nenca o fato de morar fora de
Araci e ter poucas lideranças disponíveis para candidatar-se e, assim, somar mais
votos. Já Silva Neto colocou inúmeras lideranças comunitárias no PDT (Zelito da
Ribeira, Elielson do Tapuio, Áureo, etc.) e membros de cargos de confiança de
seu governo (Marinho, Anastácio, Ginho, Mirezinho, dentre outros).

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