Pesquisador Arôvel Lima
Historiador araciense
O ouro de Araci, há cerca de 100 anos, vem tendo repercussão nos jornais da Bahia e do Brasil mas, na prática, a transformação econômica da riqueza desse mineral, tido como abundante nas terras de Araci, não tem impactado positivamente na economia do nosso município. A inquietação é saber por que Araci continua em situação de miséria, vigorando entre os 20 municípios mais pobres da Bahia.
Em 1923, nas comemorações do 02 de julho, os aracienses quiseram "ostentar" (rsrs) e enviaram ouro para representar as características do município nas exposições comemorativas do centenário de independência da Bahia. Foi designado para cada município o envio de alguma representação que caracterizasse a cultura ou riqueza natural e os aracienses não pouparam "status". Nquela época, falava-se do ouro no leito do rio Itapicuru em Araci.
Na segunda metade da década de 1970, estudos comprovaram a existência de uma grande reserva de ouro em Araci, localizado nas divisas ao sul. Em 28 de novembro de 1978, o Jornal do Brasil, com sede no Rio de Janeiro, noticiou a descoberta de ouro em Araci. A previsão inicial era de a mina recém descoberta começar a ser explorada em até dois anos. Em 14 de março de 1979, foi noticiado pelo mesmo jornal que os “trabalhos de pesquisa permitiram delimitar um corpo mineralizado a ouro, com teores econômicos, numa extensão de 4,5 km, no local denomindado Área Weber”. Weber foi um dos pesquisadores da Docegeo homenageado depois de morrer em um acidente automobilistico em serviço.
Em 1979, com a grande descoberta de ouro em Araci e a repercussão nacional, levantou-se o debate para a criação de uma empresa estatal nesse setor. De acordo com o jornal, “fontes oficiais do setor mineral confirmaram, ontem, a descoberta pela Docegeo de uma reserva de ouro no município de Araci, na Bahia, que possivelmente, será a maior do País” e acrescentou que, com essa descoberta, cogita-se "criar uma empresa estatal, a OUROBRÁS para administrar a produção do metal”.
Em fevereiro de 1980 o "ouro de Araci" que fez subir as ações da mineradora, impactou negativamente a maioria das ações na bolsa de valores de São Paulo devido rumores de alarde (exageros) feito pela empresa mineradora. Havia muito expectativa no ouro de Araci e qualquer notícia podia interferir na Bolsa. Jornais noticiavam que a reserva de Araci chegava a 50 mil quilos de ouro (riqueza grandessíssima) . Araci era para está amplamente desenvolvido com tamanha riqueza, mas, obviamente os royaltes, resultante do imposto da mineração, nunca representou grande coisa.
O prefeito Erasmo Carvalho, nos idos de 1984, não fez boa negociação para obtenção dos royaltes. Primeiramente, foi corrigido que a mina de Araci, na verdade ficava em Teofilândia. De fato, Araci sempre foi usurpado perdendo território para municípios vizinhos e pior, com a omissão de nossos políticos. A última perda ocorreu em 2015. 30 km2 a menos e só o autor desse blog fez menção. A verdade seja dita! Dentre os municipios reclamantes pela fortuna do "ouro da mina de Araci, estavam também Teofilandia e Serrinha. Afinal, a área de exploração estava na divisa desses três municípios. Assim, alguns vereadores acusaram Erasmo de ser um fracassado negociador pois fechou acordo para Araci receber somente 25% dos royaltes, ficando 75% para Teofilândia e Serrinha (hoje, Barrocas).
Os vereadores ficaram irritados pois, em nenhum momento o prefeito Erasmo, incluiu a Câmara nessa importante negociação.
Em 1984, quando a exploração comercial ia ser iniciada, objetivando os repasses do imposto sobre a exploração do ouro, o jornal do Brasil intitulou uma matéria que dizia "Três prefeituras disputam terras". Erasmo, já cansado da vida pública, resolveu sozinho quanto aos limites de Araci. Por fim, somente ficou para Araci a parte ourífera referente ao riacho pau a pique, equivalente a 25% das expectativas de exploração. Já a Fazenda Brasileiro, maior reserva, constatou-se que pertencia a Teofilândia, sem audiências formais .
Foi também o ouro, um dos motivos, do "impeachmant" que afastou o prefeito Erasmo da prefeitura. O vereador Grênivel Moura (maior exemplo de Tribuna, orador inigualável) foi um dos principais mentores. Muitos vereadores acharam que Erasmo não estava mais no auge das suas 'faculdades mentais' devido a sua avançada idade. Assim pesou a sétima acusação no processo de cassação de Erasmo: má condução das negociações e negligências do setor jurídico na divisão dos impostos decorrentes da exploração de ouro nas áreas de divisas intermunicipais, tendo feito “acordo claramente prejudicial aos interesses do município, quando apesar da mina situada nos arredores da Fazenda Brasileiro, legalmente em território araciense, pertencer a este município, o sr. Prefeito municipal assinou hediondo acordo para ficarmos apenas com 25% dos impostos gerados, acordo este em que não houve, sequer, uma consulta à Câmara Municipal”.
Fontes com o autor
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