Por Arôvel Lima/Historiador
Milhares de aracienses são descendentes do fazendeiro Manuel Ferreira Santiago
que foi um dos 39 voluntários que partiram de Pedrão, atual Irará, para lutar na
capital baiana e por fim à tentativa de reorganização militar portuguesa que
ainda tentavam reverter a independência do Brasil, proclamada por D. Pedro
meses antes, a 7 de setembro de 1822. A força militar portuguesa não deixou a
sua antiga colônia pacificamente. Houveram lutas, especialmente na Bahia.
Nessa cena
estava o sextavô, heptavô ou octavô de milhares de aracienses hoje que são
descendentes do fundador de Araci.
O pai de José Ferreira morava em Pedrão e
seu nome aparece na lista de voluntários que se dispuseram a ajudar as forças
leais ao novo imperador e por em retirada os portugueses que ainda resistiam em
aceitar a independência do Brasil.
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| Listado no nº 36 As possibilidades de homonínia são bem pequenas dadas as fontes que ligam Manuel F. Santiago a Pedrão. Também o sobrenome Santiago é bem característico. |
Também o próprio José Ferreira de Carvalho
morou na fazenda Pedrão antes de vir para o nova fazenda Raso. Maria do Rosário,
sua esposa, era natural de Pedrão. Certamente, o próprio José Ferreira teria
lutado se lá ainda morasse .
Em 1822 o Frei do Município de Irará recebeu um
comunicado solicitando homens da sociedade para servir à Pátria no combate a
favor da Bahia. Ele, junto com a tropa de cavaleiros daquele lugar, bem como
seus cidadãos, homens, que por “bem querer”, aceitaram à solicitação
voluntariamente junto a 39 outros, e formaram uma comissão intitulada
Voluntários de Pedrão. (Pedrão história e estórias, GALDINO, Jorge). Os
voluntários aguardaram meses pela circular que continha as últimas ordens e os
destinos a seguir, além de armas e, em 29 de novembro de 1822, foram enviados
para o Quartel General, no Engenho Novo, no Recôncavo. Os voluntários de Pedrão
receberam ordens do Coronel daquela instância para irem fardados ao combate e
prontamente utilizaram vestes de couro: chapéu, com uma chapa de latão oval
marcado a letra “P” junto com um desenho de uma coroa real. Eles vestiam ainda
um gibão, algibeiras, calças de algodão branco ou couro, clavinas, espingardas,
espadas/facas grandes e pequenas, foram ao combate a cavalo, descalços sem farda
ou andando.( Pedrão história e estórias, GALDINO, Jorge).
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| Desfile em homenagem aos guerreiros de Pedrão |
Eram 39 Encourados de
Pedrão, além do seu comandante, o Frei Brayner. Todos eles, homens do campo,
casados e solteiros que abandonaram seus lares e famílias em prol de vencer e
defender a pátria no combate da independência da Bahia. Atualmente esses bravos
guerreiros/ heróis são relembrados no desfile cívico do Dois de Julho, em
Salvador. O grupo é representado por um batalhão de homens vindos exclusivamente
da cidade de Pedrão, que desfila usando a indumentária que os encourados daquela
época usaram. A participação deste batalhão é uma maneira de manter viva a
história e bravura de gente do povo que participou da luta pela independência do
nosso estado. Contudo, os Encourados sofrem avarias para manter esta memória
viva através de sua performance no desfile.. Para virem de Pedrão, os homens que
representam a batalha dependem do apoio municipal. Em 2011, por exemplo. o grupo
dos Encourados de Pedrão recebeu ameaça de retirada de seus cavalos, o que os
impediriam de fazer parte do desfile, pois o cavalo, assim como as vestes, faz
parte para manter a memória junto a feitura da “performance” no 2 de julho.
Contudo a ONG Terra Verde Viva e o Ministério Público, alegaram maus-tratos aos
animais, colocando em debate importância de manter esta tradição. Felizmente, Os
Encourados venceram essa disputa jurídica e desfilaram no 2 de julho com seus
cavalos.



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