Diria o historiador brasileiro Euclides da Cunha: o povo araciense é, antes de tudo, um forte!
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| O Cruzeiro, RJ-1955 |
Esta cena (foto do canto superior direito) narrada em um diário de viajantes na Revista 'O Cruzeiro' aconteceu no ano de 1955. O pau-de-arara vindo dos estados do norte, rumo ao Rio de Janeiro, parou próximo à cidade de Araci em atenção a uma pobre idosa que dançava na estrada pedindo comida. A longa estiagem na primeira metade da década de 1950 causou sofrimento para o nosso povo. Para completar a infâmia, Araci era um mísero distrito de Serrinha. Não tínhamos mais autonomia, outrora perdida em 1931 pelos ideais varguistas e, não a pouco custo, recuperada em 1956, diante de tais calamidades, sem ter a quem buscar auxilio.
Não é fácil para um pesquisador historiográfico que vive em Araci e ama a sua terra deparar-se com uma cena dessa, durante as suas pesquisas, e que retrata a ingenuidade de uma pobre senhora que vivia em extrema situação de miséria, como a maioria dos demais aracienses, a ponto de ir apresentar sua "arte", sua alegria ás margens da rodovia transnordestina, atual BR 116, mendingando o pão de cada dia, o alimento para amenizar a fome, facilmente notada em seu corpo franzino.
Como não comover-se com o sofrimento dos nossos antepassados! Homens e mulheres lutadores que foram a base para o surgimento do Araci que temos hoje. Não que o Araci de hoje esteja distante da situação de extrema pobreza. Os dados dos órgãos governamentais como o IBGE retratam Araci entre os vinte piores municípios para se viver no estado da Bahia.
O que falta para o progresso emergir na nossa terrra e levar o Araci ao lugar de glória que lhe é devido? Não somos fracos, não somos miseráveis, não somos desvalidos. Estamos entre os 40 principais municípios da Bahia em riquezas naturais (extensão territorial) e em potencialidade produtiva (população). Devemos contar esses fatores a nosso favor, tal qual a China, a Rússia e mesmo o Brasil, tiram proveito disso para emergir entre as dez maiores potências econômicas do mundo.
Duas décadas depois, o que chamou a atenção sobre Araci nos jornais brasileiros foi a descoberta do ouro. Bem sabia os aracienses que a pobreza iria continuar nos avizinhando.
| Jornal do Commercio - RJ 1979 |
Referência: http://memoria.bn.br

Muito bom conhecer nossa história.
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