domingo, 24 de janeiro de 2021

Foto de Dom Jackson com o presidente Geisel em 1976. Foi um bispo muito querido dos aracienses na década de 1960

 

Dom Jackson Berenguer Prado


Dom Jackson em visita ao presidente Geisel em 1976 durante a ditaduta militar - foto Adão Nascimento. Acervo FGV

O Bispo natural de Tucano ficou durante 9 anos no ministério pastoral zelando pelo povo de Araci, cuja Paróquia estava subordinada à Diocese de Feira de Santana. 
Em ARACI,  o Bispo foi homenageado com  nome de uma escola municipal  localizada próximo a quadra de esportes no centro da cidade.

Biografia

05/04/1918
13/06/1943
08/03/1958

BIOGRAFIA E HISTÓRICO

Dom Jakson Don Berenguer Prado nasceu em Tucano (BA) em 5 de abril de 1918 e faleceu em 2 de agosto de 2005.

Foi ordenado sacerdote em 13 de junho de 1943 em Senhor do Bonfim, e em 8 de março de 1958 foi sagrado bispo na Arquidiocese de São Salvador da Bahia. Foi bispo da então diocese de Vitória da Conquista e Feira de Santana. O santo padre João Paulo II acolheu sua renúncia no dia 17 de agosto de 1983.

BRASÃO E DESCRIÇÃO HERÁLDICA

Escudo: Esquartelado, I e IV de vermelho uma banda de azul perfilada de ouro e carregado de três flores-de-liz, de prata; II e III de azul com contrachefe ameiado de ouro, encumado por uma estrêla de Belém com seus pontas, do mesmo.

Insígnias: Episcopais (Chapéu prelatício com três fileiras de borlas, de verde e cruz processional.)

Lema: Lucerna Verbum tuum

Comentário: No princípio era o Verbo. Êle se fêz carne e veio habitar entre nós. N’Ele estava a vida e era a luz dos homens. Estas palavras de São João Evangelista, como também o muro de Belém com a estrela do segundo e terceiro quartel do escudo, ilustram o lema, extraido do salmo 118. “Dic verbum” é o que pediam os discípulos aos pais do monaquismo no deserto, para assim receberam a vida de Deus neste mundo.
Assim também compete ao bispo dar a seus diocesanos, como seu pastor de almas, o seu Verbo que recebeu na Plenitude de Cristo, para que lhes seja um luzeiro e que nenhuma ovelha se perca no redil da sua diocese.
Os quarteis I e IV são os escudos dos Berengueres, a família do armigerado.

Acompanhe algumas fotos da
Sagração Episcopal de Dom Jackson:

sábado, 16 de janeiro de 2021

História da Câmara dos deputados na República Velha

 Arôvel Lima
Historiador


A 1ª REPÚBLICA

A Primeira República - 15/11/1889 a 16/07/1934.

(Nesta estão inclusos o regime de exceção correspondente ao período pós-Proclamação da República; a convocação do Congresso Nacional Constituinte e a elaboração da Carta constitucional entre os dias 4 de novembro de 1890 e 24 de fevereiro de 1891; a dissolução do Congresso Nacional pelo presidente da República, Marechal Manoel Deodoro da Fonseca (AL), no dia 3 de novembro de 1891; e o regime de exceção da Junta Militar e do governo provisório de Getúlio Dornelles Vargas (RS) no período de 24 de outubro de 1930 a 16 de julho de 1934).

1 - Contexto Histórico, Político e Legislativo
1.1 - A Primeira República (1ª fase – 15 de novembro de 1889 a 24 de outubro de 1930).
1.1.1 - A promulgação da primeira Constituição republicana, a consolidação do novo regime de governo e os “anos loucos”.
Em 15 de novembro de 1889 foi proclamada a República pelo marechal Manoel Deodoro da Fonseca com o apoio de grande parte da oficialidade do Exército e ausência do povo nas primeiras decisões republicanas, instaurando-se no País um novo regime de governo, que pôs término ao período do Brasil Imperial. O Imperador D. Pedro II e a sua família são obrigados a deixar o país. A Câmara dos Deputados (temporária) e o Senado (vitalício) são dissolvidos. São tomadas as primeiras medidas para a laicização do Estado, como a instituição do casamento civil e a secularização dos cemitérios. É instalado um Governo Provisório, presidido pelo marechal Manoel Deodoro da Fonseca, com três funções básicas: consolidar o novo regime; institucionalizá-lo com aprovação de uma Constituição republicana; e executar as reformas administrativas do Estado que se faziam necessárias.

São convocadas eleições para o Congresso Constituinte com a função de preparar a primeira Constituição republicana, a partir de um projeto apresentado pelo Governo Provisório. As atividades parlamentares são retomadas precisamente um ano mais tarde, com a instalação do Congresso Nacional Constituinte no dia 15 de novembro de 1890, que encerra seus trabalhos em 26 de fevereiro de 1891, sendo, neste período, redigida a primeira Constituição republicana – a 2ª da nossa história e a primeira da República dos Estados Unidos do Brasil, que vigorou até 16 de julho de 1934, tendo sofrido pequena reforma em 1926. Aliás, o revisionismo constitucional sempre esteve presente na ação dos legisladores brasileiros, a partir do momento singular manifestado pelo deputado constituinte Leopoldo de Bulhões (GO), que no mesmo dia da promulgação da Constituição desfraldou no plenário do Congresso Nacional a bandeira da revisão constitucional. Declarou ele: “Não podemos dizer que a Constituição tenha resolvido no seu todo o problema da Federação. Este continua de pé, impondo a necessidade da discriminação das rendas, e a da autonomia legislativa dos Estados. Por isso eu disse e repito – ela não pode satisfazer a este País, e sinto, profundamente que, antes de assiná-la, me veja forçado a declarar a V. Ex. que ela carece de revisão. (Apoiados.). A revisão virá mais breve do que se suspeita”. (ACC, 24.02.1891, P. 872-874).

O Decreto nº 511, de 23 de junho de 1890, que mandou observar o regulamento para a eleição parlamentar, definiu também o quantitativo de 205 deputados e 63 senadores para compor o Congresso Nacional Constituinte (21ª Legislatura:1890-1891). Prevalece o mesmo quantitativo de deputados para a 22ª Legislatura (1891-1893). O Decreto nº 1.542, de 1893, determina o quantitativo de 212 deputados e assim permanece para a 23ª Legislatura (1894-1896); 24ª Legislatura (1897-1899); 25ª Legislatura (1900-1902); e 26ª Legislatura (1903-1905). O Decreto nº 5.453, de 1905, manteve o mesmo quantitativo para as seguintes legislaturas: 27ª Legislatura (1906-1908); 28ª Legislatura (1909-1911); 29ª Legislatura (1912-1914); 30ª Legislatura (1915-1917); 31ª Legislatura (1918-1920); 32ª Legislatura (1921-1923); 33ª Legislatura (1924-1926); 34ª Legislatura (1927-1929) e 35ª Legislatura (1930) que foi dissolvida pelo governo provisório.

De acordo com depoimentos da época e pela análise dos discursos parlamentares, "o Congresso Constituinte foi dividido em quatro grupos: o dos descontentes, o dos irriquietos e revolucionários, o dos ordeiros, que queriam conservar melhorando, e o dos desiludidos". Destacou o ex-parlamentar e jurista Carlos Maximiliano Pereira dos Santos que “o Congresso Constituinte trabalhou pouco mais de três meses, predominando no seu recinto o empenho em concluir o quanto antes a difícil tarefa, sendo a voz dos oradores constantemente abafada por gritos significativos de “votos, votos!” dados pelo presidente da Casa. A enorme força moral e a incontrastável autoridade que adquiriu sobre os seus pares contribuíram decisivamente para a rapidez da votação das matérias mais polêmicas e a formação da unidade do conjunto de emendas que estava em discussão. Alto e seco, figura de asceta justiceiro e ríspido, o Dr. Prudente José de Moraes e Barros dominou a Assembléia. Que ninguém o pilhava em falta. Observava, à risca, o Regimento Interno; conhecia todas as emendas, a conexão ou contradição entre elas. Colocava-as com método na ordem do dia e rejeitava, com razões breves e claras, as prejudicadas. Convidava o próprio irmão a sentar-se, dizendo, bem alto, que o Sr. Deputado Moraes Barros pedira a palavra pela ordem para fazer a desordem. Ralhava com todos como se fossem colegiais e ele o mestre, e ninguém se revoltava. Impôs a ordem numa assembléia de rebeldes; e o trabalho correu célere, a lei saiu escorreita, digna da nossa cultura”. (Carlos Maximiliano, Comentários à Constituição Brasileira de 1891, 2005, p. 89).

A Constituição de 1891 foi promulgada em 24 de fevereiro de 1891 e teve sua vigência até o dia 16 de julho de 1934. Com predomínio na sua elaboração o gênio de Rui Barbosa teve forte inspiração na Constituição dos Estados Unidos da América. Combinava elementos da constituição americana com formulações constitucionais vigentes na Europa, e inovava, ao instituir como harmônicos e independentes entre si os três Poderes do Estado – o Legislativo, o Executivo e o Judiciário – e ao abolir o Poder Moderador. Ficava abolido, também, o voto censitário (só votavam pessoas de determinada renda), mas, por outro lado, era cassado o voto dos analfabetos, direito que estes desfrutavam no governo imperial. Transformam-se, ainda, as províncias em Estados, que dispõem de larga autonomia, formando uma Federação, e transfere-se para a competência dos municípios a responsabilidade do alistamento eleitoral.

O regime político passa a ser republicano e presidencialista. Consagra o princípio federativo, onde a Nação é uma federação de vários Estados, com seus próprios governos, submetidos ao governo central, aos quais se permite tudo o que o texto constitucional não proíba. Os Estados organizar-se-ão de forma que fique assegurada a autonomia dos Municípios em tudo quanto respeite ao seu peculiar interesse. Confere aos Estados-membros da federação autonomia para organizar o seu Poder Legislativo.

Os deputados serão eleitos nos Estados e no Distrito Federal, proporcionalmente às suas populações, para triênios, e os senadores, extinta a sua vitaliciedade, para o período de nove anos, em número de três por Estado e Distrito Federal. Acaba com o voto censitário, que restringia o sufrágio a quem detinha propriedades e rendas e adota o voto direto e universal para todos os maiores de 21 anos, excluídos os mendigos, os analfabetos, os praças de pré, os religiosos de ordens monásticas e, implicitamente, as mulheres. O presidente da República deverá ser eleito, pelo voto direto, para um mandato de quatro anos, e a eleição realizada no primeiro dia de março do último ano do período presidencial. Excepcionalmente, o primeiro presidente e seu vice serão eleitos indiretamente pelo Congresso Constituinte. Na ausência de um tribunal específico, é instituído um sistema de apuração em que cabe à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal verificar e reconhecer os poderes de seus membros.
O Congresso Nacional abrirá seus trabalhos a 3 de maio de cada ano. Cada legislatura com duração de três anos e cada sessão legislativa quatro meses da data de abertura, podendo ser prorrogada, adiada ou convocada extraordinariamente. Cabe privativamente ao Congresso Nacional, entre outras prerrogativas, a declaração de estado de sítio em um ou mais pontos do território nacional, na emergência de agressão por forças estrangeiras ou de comoção intestina.

O bicameralismo é federal e de equilíbrio. O processo legislativo é organizado de maneira que a rejeição, pela Câmara iniciadora, de emenda aprovada pela Câmara revisora força a volta da matéria a esta última; mantida a emenda por 2/3 dos votos dos membros presentes, a matéria retorna à Câmara iniciadora, que então só poderá rejeitar a emenda por 2/3 dos votos dos membros presentes. O respeito à organização bicameral é reiterado na regra de que "a Câmara dos Deputados e o Senado trabalharão separadamente", e impõe a apreciação separada do veto presidencial.

O Poder Judiciário terá como órgão um Supremo Tribunal Federal. É introduzido o crime de responsabilidade para os ocupantes de cargos no Poder Executivo. Abrandam-se as penas criminais com a supressão da pena de galés, banimento judicial e de morte; proclama-se a liberdade do exercício da profissão; e declaram-se as responsabilidades e direitos dos funcionários públicos. É instituído um Tribunal de Contas para liquidar as contas de receita e despesa e verificar a sua legalidade, antes de serem apresentadas ao Congresso Nacional para apreciação.

Apesar de não tratar da ordem econômica e social, é adotada uma fórmula estritamente liberal através de uma declaração de direitos "concernentes à liberdade, à segurança individual e à propriedade", que, além de instituir a inviolabilidade de domicílio e a liberdade de expressão, prescreve por igual o princípio do habeas corpus. Em síntese, os direitos civis e políticos, somados ao conceito de liberdade, foram assegurados.

Ficou pertencendo à União, no Planalto Central da República, uma zona de 14.400 quilômetros quadrados, que seria oportunamente demarcada, para nela estabelecer a futura capital federal.

Essa Constituição foi alterada com a promulgação da Emenda Constitucional de 3 de setembro de 1926.

Em 25 de fevereiro de 1891 realiza-se a primeira eleição para presidente e vice-presidente da República. A eleição é indireta, e o Congresso Nacional Constituinte, reunido em Assembléia Geral, elege o marechal Manoel Deodoro da Fonseca como presidente, temendo um golpe militar caso não o elegesse. Em contrapartida, é eleito como vice o candidato da oposição, o também marechal Floriano Vieira Peixoto.

As relações entre o Congresso Nacional e o Presidente da República são, no entanto, hostis, e ao votarem a lei que define os crimes de responsabilidade para os cargos do Poder Executivo, que reduzia os poderes do presidente, os congressistas irritam o marechal Deodoro da Fonseca. O velho marechal não estava acostumado com os embates parlamentares e com as cobranças de responsabilidades. O presidente veta o projeto e faz ameaças ao Parlamento, mas o veto é derrubado pelo Senado, que o envia para apreciação da Câmara dos Deputados.

Em retaliação, o presidente da República decreta o estado de sítio e dissolve o Congresso Nacional no dia 3 de novembro de 1891, direcionando o governo rumo a um regime ditatorial. Mas, o presidente não pode usar por muito tempo os poderes discricionários que se atribuiu. A resistência às medidas de Deodoro se faz sentir tanto nos meios parlamentares como na alta hierarquia militar. Alguns dias depois, ocorre uma violenta reação contra a dissolução do Congresso Nacional, encabeçada pelos parlamentares, com apoio do povo, e integrada pelos nomes mais expressivos da época e pela Armada. Com o apoio dos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, dá-se inicio a uma revolta na baía da Guanabara. A cidade do Rio de Janeiro fica em clima de guerra civil. Frente à ameaça do almirante Custódio de Melo, de bombardear a Capital da República, o marechal Manoel Deodoro da Fonseca reúne o Ministério no dia 23 e apresenta sua renúncia. Assume o cargo o vice-presidente, Floriano Peixoto. Este exercerá a presidência até o fim do quadriênio (15 de novembro de 1894) devidamente autorizado pelo Parlamento, que reabre seus trabalhos no dia 18 de dezembro por meio de convocação extraordinária expedida pelo novo Governo.

Segundo o Artº 42 da Constituição Federal, não tendo decorrido o prazo de dois anos em caso de vaga da Presidência da República, realizar-se-ia nova eleição. O vice-presidente, marechal Floriano Vieira Peixoto, todavia, contando com o apoio do Congresso Nacional, argumenta que o dispositivo só se aplicaria aos futuros mandatários e recusa-se a realizar as eleições, assumindo a Presidência.

O governo do marechal Floriano Peixoto, entretanto, não foi menos conturbado do que o do seu antecessor. Entre outros conflitos, o vice-presidente da República teve que enfrentar a Revolução Federalista no Rio Grande do Sul, em 1892, e a segunda Revolta da Armada, em 1893. A ação enérgica que empreendeu na resolução das rebeliões valeu-lhe a alcunha de “Marechal de Ferro” e preparou o caminho para a ascensão dos civis ao poder.

Em 15 de novembro de 1894, Prudente José de Moraes e Barros toma posse como o primeiro presidente civil da República. A eleição de Prudente marca a tomada do poder pela oligarquia cafeeira, representada pelos dois mais importantes estados da Federação – São Paulo, o maior produtor de café, e Minas Gerais, o maior reduto eleitoral do país. Através de um pacto, conhecido como “política do café-com-leite”, paulistas e mineiros passam a se revezar na presidência do país.

A Primeira República brasileira, que teve por base a Constituição de 1891, definiu seu padrão político no final da década de 1890. Seu principal mecanismo foi a “política dos governadores”, estabelecida pelo segundo presidente civil, Manoel Ferraz de Campos Salles, a partir do ano de 1898. Esse arranjo teve como base o seguinte acordo: o Governo Federal garantia ampla autonomia aos grupos oligárquicos dominantes de cada Estado da Federação e, em troca, as bancadas estaduais lhe davam apoio político no Congresso. O principal instrumento desta política era a Comissão Verificadora de Poderes, da Câmara dos Deputados, onde os próprios parlamentares, no inicio de cada legislatura, eram os responsáveis pela legitimação dos diplomas dos eleitos. Desta forma, só tomavam posse os deputados eleitos e indicados pelos governadores.

O resultado desse pacto foi o enfraquecimento das oposições, a fraude eleitoral e a exclusão da maior parte da população de qualquer participação política. O controle político oligárquico também era assegurado pelo voto aberto e pelo reconhecimento dos candidatos eleitos não pelo Poder Judiciário, mas pelo próprio Poder Legislativo. Como o Congresso sofria a influência do presidente e dos governadores, esse mecanismo dava margem à chamada "degola" dos candidatos indesejáveis.

O denominado “Pacto de Campos Sales” promoveu uma forte regionalização da política brasileira nos primeiros anos de consolidação republicana. Esse pacto, realizado através da “política dos governadores”, no entanto, não impedia a luta dos grupos oligárquicos pela presidência da República. Para regular a disputa, chegou-se a um novo acordo informal: o revezamento de São Paulo e Minas Gerais na chefia do Poder Executivo. A denominada política do “café com leite”. Pacto silencioso entre esses dois Estados, pelo qual os dois mais populosos e fortes Estados se revezavam por seus filhos na presidência da República. Esses dois estados elegeram 8 dos 13 presidentes na Primeira República. Os Estados de menor força política ficavam praticamente à margem nesse jogo de cartas marcadas. Já Estados de importância mediana, como o Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia, buscavam ocupar espaços, atuando individualmente ou em conjunto.

Apesar destes pactos garantirem a estabilidade do regime, o segundo período de governo republicano conheceu também inúmeras revoltas e rebeliões. No ano de 1895 tem início a Guerra de Canudos, um dos conflitos mais sangrentos da nossa história. A violência militar republicana e o pânico por eventuais ameaças à ordem estabelecida tomam conta do país. Outros conflitos sociais se sucedem, como a guerra do Contestado, no ano de 1912, com o saldo de milhares de mortos e feridos.

“Edgar Carone talvez seja um dos mais influentes na formação dos parâmetros interpretativos que definiram o enfoque predominante. (...) A República significou, para ele, o poder dos coronéis ampliado”. (BACKES, 2006, p. 34). Com o fim do período imperial, os coronéis, que representavam, em nichos de atuação política, a elite dominante, passaram a escolher diretamente seus representantes, porque “desde a Colônia os coronéis comandam a política. A República é uma ampliação de seu domínio, pois a quebra do Poder Moderador permite que eles próprios escolham seus representantes em todos os graus”. (CARONE, 1970, p.151-2 apud BACKES, 2006, p. 34).

Ao analisar os conflitos de então, na Primeira República, notamos a ausência de consistência ideológica e programática das lideranças políticas: “A luta dos grupos pela hegemonia é complexa, porque as lideranças – ex-monarquistas, republicanos, militares – agem em geral desordenadamente, prendendo-se a interesses locais e coronelísticos, e não a fórmulas ideológicas ou partidárias’’. (CARONE, 1977, p. 36 apud BACKES, 2006, p. 35).

O decênio de 1910 e o início da década de 1920 marcam o período em que se aguçou a questão social no Brasil. Eclodiram greves de grandes dimensões nas principais cidades do País, com a participação ativa na liderança dos movimentos reivindicatórios os imigrantes que aqui aportaram, atraídos por incentivos do governo do Brasil. O movimento operário ganha força e reivindica melhores condições de vida e de trabalho. Em decorrência, os debates sobre a questão social e sobre as medidas necessárias para enfrentá-la ganham considerável espaço no cenário político nacional. Washington Luís Pereira de Sousa, que foi o presidente da República de 1926 a 1930, cunhou uma frase que ficou famosa na história política brasileira, que dizia que “a questão social é um caso de polícia”. Os Deputados Maurício de Lacerda e Nicanor Nascimento destacam-se na defesa das demandas da classe trabalhadora. A Lei de Acidentes do Trabalho é criada, então, em 1919; a lei de criação das Caixas de Aposentadorias e Pensões (Lei Elói Chaves), em 1924, que estabelecia a aposentadoria para trabalhadores ferroviários; a primeira Lei de Férias para trabalhadores foi aprovada graças ao trabalho do Deputado Henrique Dodsworth, em 1926; a Lei de Regulamentação do Trabalho de Menores, em 1926/1927. Ainda em 1923, um projeto de Agamenon Magalhães e Pacheco Oliveira pretendia fundar um Instituto de Pensões para empregados no Comércio. Outro se criou para os trabalhadores de Docas. Um Código de Trabalho foi discutido na Câmara dos Deputados, participando dos debates, entre outros, Afrânio Peixoto, antes de 1930. Com essas discussões, aprovação de proposições e sanção das leis, o governo esperava diminuir os protestos dos trabalhadores.

No período de 15 de novembro de 1918 a 28 de julho de 1919, Delfim Moreira da Costa Ribeiro, como Vice-Presidente da República, exerceu a Presidência da República em substituição ao titular, Francisco de Paula Rodrigues Alves, que não chegou a tomar posse por motivo de saúde.

O ano de 1922 é atípico e, em certo sentido, antecipava as mudanças pelas quais a sociedade brasileira passaria, conforme um vigoroso caleidoscópio em movimento. Acontece, em São Paulo, a “Semana da Arte Moderna” nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro; são fundados o Partido Comunista do Brasil (PCB) e o Centro Dom Vital, de orientação católica. Eram sinais aparentes de novas propostas formuladas sob o impacto das aceleradas alterações dos chamados “anos loucos”. Nas eleições presidenciais desse ano, os Estados de segunda grandeza começam a se unir com o intuito de romper com o predomínio de Minas Gerais e São Paulo. É criado um movimento político de oposição – a Reação Republicana – que lança o nome do fluminense Nilo Peçanha contra o candidato oficial, o mineiro Artur Bernardes. As eleições presidenciais transcorrem normalmente em março de 1922. Como era esperada, a vitória coube ao candidato oficial. Importantes lideranças civis e militares não reconhecem a derrota do candidato oposicionista Nilo Peçanha. O problema estava criado – nem a Reação Republicana nem os militares aceitaram o resultado. Como o governo se manteve inflexível e não aceitou a proposta da oposição de rever o resultado eleitoral, o confronto se tornou apenas uma questão de tempo. O “Movimento Tenentista” começa a tomar forma. Entre outras reivindicações, defendiam o voto secreto, concessão de alguns direitos sociais ao proletariado urbano, o fortalecimento das Forças Armadas, a independência do Poder Judiciário e um Estado mais forte. Toma corpo nas hostes militares uma proposta que concebia a intervenção na vida política do país como algo que deveria ser feito não por um grupo ou facção, mas pela própria instituição militar, representada pelo seu Estado Maior.

No começo de julho de 1922, a situação tornou-se crítica com a prisão do presidente do Clube Militar, marechal Hermes Rodrigues da Fonseca. No dia 5 eclodiu um levante militar no Rio de Janeiro e, logo em seguida, outro no Estado do Mato Grosso. As rebeliões foram logo debeladas, mas no Rio de Janeiro, um grupo de jovens oficiais do Exército resolveu enfrentar, em plena Praia de Copacabana, as forças legais. São sumariamente fuzilados. Sobrevivem apenas dois: Eduardo Gomes e Siqueira Campos. O episódio ganha as páginas dos jornais e fica conhecido como os “18 do Forte”. O Governo reage e consegue a aprovação pelo Congresso Nacional da decretação do estado de sítio, conseguindo sucessivas renovações do mesmo, fazendo perdurar a situação de exceção no País. Os militares envolvidos na revolta são presos e processados.

Em 5 de julho de 1924 tem início uma Revolução Militar em São Paulo que recebe apoio de outras rebeliões que explodem nos Estados do Amazonas, Sergipe e Mato Grosso. No dia 27, diante da pressão das forças legalistas, que fazem uso, inclusive, de bombardeio aéreo, os revolucionários abandonam a cidade e se deslocam para o Estado do Paraná, formando a “Coluna Paulista”, comandada pelo major Miguel Costa. No dia 28 de outubro tem início uma rebelião no Estado do Rio Grande do Sul sob o comando do capitão Luís Carlos Prestes. No dia 27 de dezembro, a “Coluna Gaúcha” inicia sua marcha em direção a Foz do Iguaçu, no Estado do Paraná. No dia 11 de abril de 1925, a “Coluna Gaúcha” se encontra com a “Coluna Paulista” em Porto Santa Helena, também no Estado do Paraná. Do encontro dos gaúchos e paulistas forma-se a “Coluna Fênix”, que mais tarde ficará conhecida como “Coluna Prestes”. Em julho de 1925, com aproximadamente 1.500 homens, inicia sua marcha pelo Brasil, percorrendo mais de 25 mil quilômetros em treze Estados da Federação, durante dois anos e sete meses, denunciando o governo central e enfrentando, com maestria, as tropas federais e estaduais.

Mesmo com a tensão causada pelo segundo levante tenentista em 1924, o presidente da República não foi impedido de manter o Parlamento sob sua dura vigilância, manobrando as Bancadas e conseguindo a aprovação de seus principais projetos, como a “Lei de Imprensa”, que abriria precedentes para a censura dos jornais e periódicos.

A crise política dos anos 20, como tomamos conhecimento, foi caracterizada pela rejeição do sistema oligárquico, que era associado à “política do café-com-leite”. Seu desfecho foi o fim da hegemonia da burguesia cafeeira na condução da economia e da política, a ascensão dos barões da indústria e o aparecimento dos movimentos tenentistas. Mas tanto os cafeicutores quanto os industriais eram identificados como beneficiários da política do governo. A elite apenas havia mudado de lugar para continuar à frente do Estado em detrimento dos trabalhadores e de outros grupos que também reivindicavam espaço para atuação política. Em 1924 tem início a produção de aço no País, pela siderúrgica Belgo-Mineira, enquanto a produção de cimento, pela Companhia de Cimento Portland, só se inicia em 1926. Em 1928 há uma queda generalizada dos preços agrícolas internacionais. Tem início a mais longa e profunda recessão econômica já experimentada até hoje e que vai afetar a economia mundial de 1929 a 1934.

O ano de 1927 teria início com as eleições para a renovação da Câmara e de um terço do Senado, realizadas no mês de fevereiro. Nesse pleito, quase todos os Estados conseguiram empossar membros de suas minorias, fortalecendo assim a bancada oposicionista.

As regras políticas vigentes começam a ser rompidas quando o presidente da República, Washington Luís, visando assegurar a continuidade de sua política econômico-financeira, de austeridade e contenção de recursos para a cafeicultura, lança como candidato à sua sucessão o presidente do Estado de São Paulo, Júlio Prestes, e não o presidente de Minas Gerais, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, como era esperado pelo esquema de revezamento. Essa escolha gera grande inconformismo nos meios políticos tradicionais. Preterido, o presidente do Estado de Minas Gerais busca o apoio do Estado do Rio Grande do Sul para se opor aos planos do governo central. O Rio Grande do Sul, terceiro Estado da Federação em importância eleitoral, tornava-se a peça-chave no jogo sucessório.

Além das diferenças ideológicas do período, “o fato de que os industriais paulistas em 1930 apoiavam o governo da oligarquia paulista realmente dificulta interpretações simplistas, como a de reduzir a luta política ao confronto entre os ‘interesses agro-exportadores’, representados por Washington Luís, versus ‘os interesses burgueses industriais’, representados por Getúlio”. (BACKES, 2006, p. 41).

São intensas as negociações políticas entre as principais lideranças daqueles dois estados (Minas Gerais e Rio Grande do Sul) desde o final do ano de 1928 até julho de 1929. No dia 30 desse mês, a Comissão Executiva do Partido Republicano Mineiro lança as candidaturas de Getúlio Dorneles Vargas e João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque (presidente do Estado da Paraíba) respectivamente à presidência e à vice-presidência da República. Para tornar sua ação mais concreta, a oposição forma, então, no início de agosto, a Aliança Liberal. Além de Minas, Rio Grande do Sul e Paraíba, a Aliança Liberal recebe a adesão de todas as oposições estaduais, destacando-se o Partido Democrático de São Paulo e o Partido Democrático do Distrito Federal. Na realidade, era uma união política das oligarquias mineira, gaúcha e paraibana.

O pleito de 1º de março, que terminaria por se tornar o último da Primeira República, teve proporções colossais, uma vez que se votou em presidente e vice ao mesmo tempo em que se escolheu a nova Câmara e se renovou um terço do Senado Federal. O resultado das eleições dá a vitória a Júlio Prestes e Vital Soares, eleitos com 57,7% dos votos (diferença de mais de 300.000 votos). A fraude, dominante na época, verificou-se dos dois lados.

Em meados de 1930, os ânimos estão exaltados nos meios políticos e nos quartéis. A vitória do candidato oficial do governo promove divisões nos grupos regionais dominantes e coloca por terra o projeto de alguns deles de chegar ao poder pela via legal. A conspiração ganha corpo no decorrer do ano, contando com o apoio de lideranças civis e militares, entre elas o tenente-coronel Pedro Aurélio de Góes Monteiro, interessadas em reservar para o Exército uma situação de maior importância no futuro governo. Os tenentes, mesmo divididos, têm um papel fundamental tanto na preparação como na direção do movimento revolucionário. O assassinato de João Pessoa, no mês de julho, é um dos últimos fatores a mobilizar a oposição em favor da derrubada do governo constitucional. Na verdade, o seu assassinato aconteceu por uma questão pessoal (briga com um inimigo político do seu estado). Porém muitas pessoas acreditaram que o crime ocorrera por motivos políticos nacionais. Aproveitando-se desse fato, em inflamado discurso no plenário da Câmara, o Deputado Lindolfo Collor (RS – PRR) hostiliza o presidente da República abertamente, responsabilizando-o pelo incidente que vitimou o presidente do Estado da Paraíba. Em um dos trechos de sua fala destaca-se: “Caim também virou a face à obra de sua mão. Mas a voz de Deus logo se fez ouvir para pedir-lhe contas: “Caim, que fizeste do teu irmão?” (...) É por isto que o povo brasileiro, nesta hora amarga, pergunta: “Presidente da República, que fizeste do Presidente da Paraíba?”. (...) O martírio de João Pessoa terá na vida brasileira a sua significação histórica, ou nós já não seremos povo digno desse nome”. (DCN, 29.07.1930, p. 2041-2042). O pronunciamento foi amplamente divulgado pela imprensa e obteve grande repercussão junto à opinião pública. Desde o Recife, as manifestações provocadas pela morte do presidente do Estado da Paraíba tomaram feição fantástica de luta, de revolta, de pesar, de mudanças. E seria apenas o início de uma série de demonstrações como o Brasil dificilmente veria igual.

Após dois meses de articulações políticas nas principais capitais do País e de preparativos militares, o movimento (ombreado por velhos oligarcas, lideranças populares e jovens oficiais das Forças Armadas) eclodiu simultaneamente no Rio Grande do Sul, Minas Gerais e no Nordeste (os três pilares do movimento) na tarde do dia 3 de outubro de 1930. O movimento revolucionário, sob a liderança civil de Getúlio Vargas e a chefia militar sob as ordens do tenente-coronel Góes Monteiro, conta com o apoio das Forças Armadas. Em menos de um mês a revolução já era vitoriosa em quase todo o País, restando apenas São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pará ainda sob controle do governo federal. Com o deslocamento das forças revolucionárias gaúchas em direção a São Paulo, um grupo de oficiais-generais, liderados por Augusto Tasso Fragoso, exige a renúncia do presidente Washington Luís. Diante de sua recusa, os militares determinam a sua prisão e o cerco do Palácio Guanabara, no dia 24 de outubro, faltando 20 dias para terminar o mandato presidencial. No período de 24 de outubro a 3 de novembro, o Poder Executivo é entregue a uma Junta Governativa Militar Provisória formada pelos seguintes militares: general-de-divisão Augusto Tasso Fragoso, general-de-divisão João de Deus Menna Barreto e pelo contra-almirante José Isaias de Noronha). Em virtude do maior peso político que os gaúchos detinham no movimento e sob pressão das forças revolucionárias, a Junta finalmente decidiu transmitir o poder a Getúlio Dornelles Vargas, que estava em deslocamento do Rio Grande do Sul para o Rio de Janeiro. Em seguida, no período de 3 de novembro de 1935 a 20 de julho de 1934, Getúlio Vargas, na qualidade de Chefe do Governo Provisório, assume com poderes ditatoriais. O Congresso Nacional é novamente dissolvido e assim permanece por três anos. Tem início o primeiro período da “Era Vargas”.

Vários fatores contribuíram para a vitória do movimento revolucionário: mesmo com o fim do voto censitário, a participação eleitoral continuou muito baixa porque aproximadamente 60% da população era de analfabetos, e a estes continuava proibido o voto; a taxa de votantes, em relação à população do País, passa de um mínimo de 1,4% a um máximo de 5,7%; o voto não era obrigatório nem secreto, o que tornava a população alvo fácil de pressões e subornos travestidos de favores; a institucionalização da fraude eleitoral com o predomínio incontestável da corrente política dominante – o baixo número de eleitores levava ao predomínio de fenômenos como o coronelismo, o “voto de cabresto” e as fraudes, fazendo com que o sistema eleitoral fosse controlado pelas oligarquias locais; o voto a descoberto, chamado “bico de pena”; o inadmissível reconhecimento dos eleitos realizado pelo próprio poder político, representado pelo Legislativo – a denominada “comissão dos cinco” –, que tinha o poder absoluto de decidir quem tomaria posse ou não, conseqüentemente fazendo com que candidatos vencedores nos pleitos eleitorais nem sempre ocupassem suas cadeiras (sistema este denominado de terceiro escrutínio, onde, no reconhecimento final de poderes, os diplomas mais líquidos eram rasgados violentamente); a desorganização e indisciplina reinantes nos partidos políticos controlados por “coronéis”, industriais e banqueiros; o não-direito ao voto e à participação política das mulheres, há muito tempo reivindicados, incompatibilizava o regime de governo com parcela significativa da sociedade; a submissão do judiciário, pondo em risco a independência de decisão de seus membros; o abuso da intervenção federal e o desvio do instituto do estado de sítio; a política dos governadores; a prática nefasta da cauda orçamentária; a crise econômica de 1929; e o surgimento de movimentos sociais reivindicando melhores condições de vida, trabalho e distribuição de renda. Conseqüências diretas deste quadro foram o surgimento de correntes extremas, tanto de direita quanto de esquerda, na política nacional e o regime de força implantado a seguir.

Com a Revolução Liberal, que se situa no mesmo plano ideológico do movimento de 1922 (18 do Forte), no Estado do Rio de Janeiro, e da Revolução de 1924 no Estado de São Paulo, encerra-se o que se convencionou chamar de “República Velha”. As mudanças de ordem econômica, política e social que ocorreram a seguir no País fizeram com que a Revolução Liberal de 1930 fosse considerada o marco inicial da “Segunda República” no Brasil, ou “República Nova”. Se de um lado essa revolução não tinha um projeto ideológico claro, do outro abalou as oligarquias e permitiu a ascensão de setores reformistas das camadas médias urbanas.

Quanto ao papel do Poder Legislativo durante o primeiro período republicano, a preocupação da maioria parlamentar foi de buscar o consenso para a consolidação do frágil regime instituído em 1889. Construindo os alicerces da democracia para um novo país, movimentos populares intervieram em todas as fases do incipiente processo democrático como reação às tentativas de domínio das elites e sua perpetuação no poder. A Câmara dos Deputados, mesmo estando sujeita às ingerências do Poder Executivo, mesmo com suas mazelas, é acionada inúmeras vezes para discussão e aprovação de grandes projetos nacionais, de anistia a revoltosos em vários episódios de luta e de choques de ideologias, além da elaboração das primeiras e mais importantes leis do País. nesse momento, a base jurídica nacional, com a formulação do Código Civil – discutido entre os anos de 1900 e 1913 –; o início da votação da legislação social com a aprovação do Projeto sobre Acidentes do Trabalho, de autoria do deputado Medeiros de Albuquerque, em 1904; a aprovação, em 1907, do projeto de organização sindical (de autoria do deputado Inácio Tosta) que obtém, em 1912, a fixação de oito horas de trabalho; e o início, em 1917, do Código do Trabalho, base da futura CLT. Na política externa, a Câmara destaca-se pela ratificação do Tratado de Petrópolis, importante vitória diplomática que permite ao Brasil incorporar cerca de 200 mil km² da Bolívia, que hoje constituem o estado do Acre, mediante uma indenização de 2 milhões de libras esterlinas. Na política interna são votadas as primeiras leis de imigração. 

1.2 - A Primeira República (2ª fase: 24 de outubro de 1930 a 16 de julho de 1934).
1.2.1 - Os Anos de Incertezas – A transição (1930-1934).

Logo após assumir a chefia do Governo Provisório da República no dia 3 de novembro de 1930, Getúlio Vargas toma uma série de medidas ditatoriais. Por meio da edição do Decreto nº 19.398, de 11 de novembro, suspende a Constituição Federal, dissolve o Congresso Nacional, as Assembléias Estaduais, as Câmaras Municipais e transfere as atribuições legislativas para o Poder Executivo. Estabelece a censura, adversários são exilados, e políticos do antigo governo são perseguidos e presos. Substitui os governadores por interventores federais, por ele nomeados, e passa a governar com a expedição de decretos. A maioria dos interventores é oriunda do “Movimento Tenentista”, o que dá um caráter revolucionário ao Governo Provisório. Mas, a verdade é que Getúlio Vargas, os tenentes e as Forças Armadas substituem a República Velha e suas quatro décadas de democracia de fachada por mais uma ditadura.

O período que transcorre da conquista do poder até a Revolução Constitucionalista de São Paulo, em1932, conduz as forças que integram o novo regime a uma primeira polarização entre, de um lado, os liberais conservadores, que se agrupariam em São Paulo, no Partido Democrático, e o tenentismo radical, que, em 1931, organiza o Clube 3 de Outubro, sob a presidência de Pedro Ernesto, com Góes Monteiro, Oswaldo Aranha, Juarez Távora, João Alberto e demais líderes da facção. Entre as múltiplas divergências que separam as duas alas do novo regime, avulta a posição que adotam relativamente à consulta popular. Os liberais conservadores querem realizá-la o mais cedo possível e consideram indispensável convocar uma Constituinte para reformular institucionalmente a República a partir de uma autêntica representação popular. Os radicais consideram indispensável, primeiro, a utilização em profundidade do poder na transformação da sociedade para somente depois serem realizadas eleições.

Com o intuito de acalmar os liberais conservadores que exigem o regresso ao regime constitucional, no dia 24 de fevereiro de 1932 o governo edita o Decreto nº 21.076, que dispõe sobre o Código Eleitoral. Entre outros atos, cria a Justiça Eleitoral (com o objetivo de coibir os abusos tão freqüentes na República Velha); institui o sufrágio direto, secreto e universal; concede o direito de voto aos maiores de 18 anos e o direito das mulheres votarem e serem votadas. Observadas as prescrições desse decreto, a composição da Assembléia Nacional Constituinte deverá ser composta de 214 deputados eleitos por sufrágio universal e de 40 representantes classistas, observadas as prescrições do Decreto nº 22.653, de 20 de abril de 1933; do Decreto nº 22.696, de 11 de maio de 1933; e ainda do Decreto nº 22.940, de 14 de julho de 1933. Deverão ser escolhidos por entidades sindicais: dezoito representantes dos sindicatos dos trabalhadores, dezessete dos empregadores, três dos profissionais liberais e dois dos funcionários públicos. Essa presença corporativista significava uma vitória dos tenentes e imitava a organização do fascismo italiano.

A demora à volta ao regime democrático faz com que a partir do início do ano de 1932 cresça o movimento de oposição ao chefe do Governo Provisório, Getúlio Vargas. Em São Paulo, manifestações exigem a convocação de uma Assembléia Constituinte e o restabelecimento da autonomia dos Estados da Federação. No dia 9 de julho explode a Revolução Constitucionalista. Com intensa repercussão em todo o Estado paulista, a mobilização de soldados, da população e dos recursos materiais para fazer frente aos combates que eram previsíveis se faz com entusiasmo ao longo de três meses de conflito Acossado por todos os lados, o Estado de São Paulo é derrotado pelo esgotamento de seus recursos, os chefes revolucionários são presos, desterrados para a Europa, e as hostilidades suspensas em 1º de outubro. Apesar de tudo, esses fatos traduziram-se em elementos de pressão para que a convocação da Assembléia Nacional Constituinte se concretizasse.

Em 7 de outubro de 1932, o jornalista e escritor Plínio Salgado lança as bases da Ação Integralista Brasileira (AIB). Ficou conhecido como o “Manifesto de Outubro”. De tendência nacionalista-cristã, em contraposição à “Doutrina Marxista”, o movimento é inspirado no fascismo italiano, que defendia um ideário nacionalista, antiliberal e anti-semita. O manifesto sintetiza o ideário básico da nova organização: defesa do nacionalismo, definido mais sobre bases culturais do que econômicas, e do corporativismo, visto como esteio da organização do Estado e da sociedade; combate aos valores liberais e rejeição do socialismo como modo de organização social. Possuía seções em diversos Estados do País, congregando elementos das camadas médias urbanas, como intelectuais, em sua maioria católicos, profissionais liberais, funcionários públicos e militares. Seu lema era “Deus, Pátria e Família”.

Querendo demonstrar sua força política, os integralistas costumavam realizar grandes desfiles, em que usavam uniformes que lhes valeram o apelido de “camisas-verdes”. Nas manifestações de rua, os enfrentamentos com os comunistas eram uma constante. Nos anos que se seguiram à sua fundação, a AIB teve rápido crescimento. Em 1936, o total de seus membros era estimado entre 600 mil e um milhão.

No dia 3 de maio de 1933 são realizadas eleições para a Assembléia Nacional Constituinte. Aproximadamente 1.285.000 eleitores comparecem às urnas. Cada Estado da Federação escolhe deputados em número proporcional à sua população. Minas Gerais, o mais populoso, contou com 37 representantes, o que veio a lhe garantir a presidência dos trabalhos da nova Assembléia.

No dia 10 de novembro, no plenário do Palácio Tiradentes, a Mesa Diretora, sob a presidência do ministro Hermenegildo de Barros, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, inicia o recebimento dos diplomas dos 254 deputados constituintes eleitos. Entre eles uma única mulher, Carlota Pereira de Queiroz (SP - Chapa Única), que havia participado ativamente da Revolução Constitucionalista. O Deputado Antônio Carlos Ribeiro de Andrada (MG – PP) é eleito para dirigir os trabalhos constituintes no dia 12. No dia 15, a Assembléia é instalada solenemente com a presença do chefe do Governo Provisório. A Comissão Constitucional, composta de 26 membros (um representante de cada bancada estadual e de cada um dos quatro grupos profissionais representados), encarregada de examinar o anteprojeto apresentado pelo Governo Provisório, começa seus trabalhos no dia 16 e os encerra no mês de março de 1934, apresentando ao Plenário da Assembléia Nacional Constituinte um substitutivo ao anteprojeto governamental para o encaminhamento das discussões. No mês de junho, o Plenário aprova os atos do Governo Provisório, tornando-os imunes à revisão judicial. Ao terminar a votação final do projeto de Constituição, é aprovada a anistia geral a todos os que, em virtude das agitações anteriores, principalmente as de 1932, haviam sido tolhidos em sua liberdade. A assinatura e promulgação da nova Constituição acontecem no dia 16 de julho de 1934.  

Fonte: https://www2.camara.leg.br/a-camara/conheca/historia/a1republica.html

Parlamento brasileiro foi fechado ou dissolvido 18 vezes

 



Essa foi a primeira das 18 vezes que o Parlamento brasileiro foi dissolvido ou fechado, por enfrentar ou incomodar os mandatários do poder. D. Pedro 1º chegou a incluir na Constituição o poder de dissolver o Parlamento (Poder Moderador). No Segundo Império, o Parlamento foi dissolvido 11 vezes por d. Pedro 2º – sempre que o embate entre conservadores e liberais ou entre os legisladores e o governo atingiu um grau considerado elevado demais pelo imperador.

Deodoro
A Proclamação da República, em 1889, representou inicialmente o fortalecimento do Parlamento. Foi convocado um Congresso Constituinte para preparar a primeira Constituição republicana, que entrou em vigor em 1891. Entretanto, em 3 de novembro daquele ano, novamente o Parlamento seria fechado pelo primeiro presidente, marechal Deodoro da Fonseca.

Entre as justificativas, o presidente apontou as restrições do Congresso às reformas econômicas que ele pretendia realizar. "Não posso por mais tempo suportar esse Congresso: é de mister que ele desapareça para a felicidade do Brasil", afirmou. A tentativa de golpe não funcionou, e Deodoro foi forçado a renunciar em 23/11.

Getúlio Vargas anuncia pelo rádio o início novo regime ditatorial. À sua direita aparecem o ministro Dutra (de braços cruzados), Filinto Müller (de bigode, atrás dele) e o autor da Constituição, Francisco Campos (extrema direita)
Vargas anuncia no rádio a implantação do Estado Novo, fechando o Congresso por nove anos

Era Vargas
Getúlio Vargas fechou o Congresso duas vezes. Após a Revolução de 1930, então chefe do governo provisório, Vargas baixou decreto em 11 de novembro dissolvendo o Congresso Nacional, as assembleias legislativas dos estados e as câmaras municipais. Pressionado pela Revolução Constitucionalista de 1932, Vargas se viu forçado a reabrir o Congresso.

Em 10 de novembro de 1937, Vargas deu um golpe de estado, instituindo a ditadura do Estado Novo. Fechou o Congresso e outorgou uma nova Constituição, de cunho autoritário. Os trabalhos legislativos ficaram suspensos por nove anos – até 31 de janeiro de 1946. Em pronunciamento por rádio, fez críticas ao "regime democrático, que tantos males vinha causando, e ao Congresso, que nada produzia e criava dificuldades às iniciativas do governo".

Ditadura militar
Durante a ditadura militar (1964/85), o Congresso foi fechado três vezes. O Ato Institucional nº 2 (AI-2) deu ao presidente da República o poder de decretar o recesso do Congresso, e nesse período o presidente tinha a prerrogativa de legislar.

Em 20 de outubro de 1966, o marechal Castelo Branco decretou recesso por um mês, para conter um "agrupamento de elementos contra-revolucionários" que tinha se formado no Legislativo "com a finalidade de tumultuar a paz pública".

Em 13 de dezembro de 1968, o marechal Costa e Silva baixou o AI-5, fechando o Congresso para combater a subversão e as "ideologias contrárias às tradições de nosso povo".

O último a decretar o fechamento do Legislativo foi o general Ernesto Geisel, em 1977, por meio do “pacote de abril”, depois que o Congresso rejeitou uma emenda constitucional. Geisel alegou que o MDB havia estabelecido uma "ditadura da minoria".

Cassações
Outro instrumento utilizado pela ditadura militar contra o Legislativo foi a cassação de mandatos. Durante esse período, 173 deputados federais foram cassados em pleno exercício do mandato. Em dezembro de 2012, a Câmara dos Deputados realizou sessão solene na qual devolveu simbolicamente os mandatos desses parlamentares.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

sábado, 9 de janeiro de 2021

Panteão da Pátria: os 43 heróis e heroínas do Brasil


Panteão da Pátria: os 43 heróis e heroínas do Brasil

04/07/2018 08h00

No Panteão da Pátria Tancredo Neves, localizado na Praça dos Três Poderes, em Brasília, um livro com páginas de aço lista os heróis oficialmente reconhecidos do Brasil.

O "Livro dos Heróis e das Heroínas da Pátria", como é chamado, reúne nomes que entraram para a história nacional e, para fazer parte da coletânea, é preciso que o Senado e a Câmara dos Deputados aprovem um projeto de lei com o pedido de inclusão.

Na lista de espera, há candidatos como o piloto Ayrton Senna, o político Enéas Carneiro, o diplomata Sérgio Vieira de Mello e os médicos Vital Brasil e Osvaldo Cruz. Os critérios para que uma pessoa seja considerada herói ou heroína são subjetivos e podem variar com a época. Por isso, alguns heróis oficiais talvez ficassem de fora se a lista seguisse parâmetros atuais. Atualmente, o livro de aço registra os seguintes nomes, em ordem de inclusão.

Leia também:

  • Reprodução/SDI Brasil

    Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes

    O nome que estreou o livro, em 21/4/1992, foi o de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. O dentista, militar e ativista político liderou o movimento da Inconfidência Mineira, conspiração separatista que ia contra os abusos cometidos pela Coroa Portuguesa contra os colonos

  • Reprodução/Kalentri

    Zumbi dos Palmares

    Líder quilombola, é uma das mais importantes figuras de resistência contra a escravidão e foi incluído no livro em 21/3/1997. Zumbi fazia parte do Quilombo dos Palmares, refúgio para escravos fugidos que almejavam sua liberdade

  • Reprodução/História UPF

    Marechal Manuel Deodoro da Fonseca

    O primeiro presidente do Brasil, Marechal Deodoro da Fonseca, é também uma das figuras presentes no livro instalado no Panteão da Pátria, desde 15/11/1997. Marechal Deodoro foi uma das importantes figuras para a Proclamação da República no Brasil

  • Reprodução/Cícero Moraes/BBC

    Dom Pedro 1º

    Imperador do Brasil, Dom Pedro ficou do lado dos brasileiros durante o levante contra a colonização portuguesa, declarando a Independência do Brasil em 7 de setembro de 1822. Ele foi incluído no livro dos heróis em 05/7/1999

  • Reprodução/History

    Marechal Luís Alves de Lima e Silva, duque de Caxias

    Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, era também conhecido pelo apelido O Pacificador. Um de seus feitos foi lutar pela independência brasileira contra Portugal em conflitos ocorridos após a declaração de independência. Ele também foi comandante na Guerra do Paraguai e está no livro dos heróis desde 28/01/2003

  • Reprodução/Organics News Brasil

    Francisco Alves Mendes Filho (Chico Mendes)

    Seringueiro de Xapuri, no Acre, Chico Mendes lutou durante sua vida contra o desmatamento da Amazônia. Por seu trabalho, recebeu ameaças de morte durante toda sua trajetória até ser morto a tiros em sua própria casa. O legado de Chico Mendes permanece até hoje como inspiração de respeito e preocupação com o meio ambiente, constando no livro dos heróis desde 22/07/2004

  • Reprodução/Alma Acreana - Blogger

    Coronel José Plácido de Castro

    O Coronel José Plácido de Castro, inscrito no livro dos heróis em 17/11/2004, foi um dos líderes da Revolução Acreana, em 1903, que expulsou os bolivianos do local e proclamou o Estado Independente do Acre. No mesmo ano, com o Tratado de Petrópolis, o estado se integrou ao Brasil

  • Wikipédia

    Almirante Joaquim Marques Lisboa, marquês de Tamandaré

    Desde 13/12/2004 no livro, o Almirante Joaquim Marques Lisboa, mais conhecido como o marquês de Tamandaré, participou da Guerra do Prata e da Guerra do Paraguai, um dos maiores confrontos da história nacional. Além de herói nacional, o marquês de Tamandaré é também o patrono da Marinha de Guerra do Brasil. No seu aniversário, em 13 de dezembro, é comemorado o Dia do Marinheiro

  • Wikipédia

    Almirante Francisco Manuel Barroso da Silva, barão do Amazonas

    O barão de Amazonas, conhecido também como o Almirante Barroso, foi um dos responsáveis pela vitória do Brasil na Batalha do Riachuelo, um dos confrontos mais importantes da Guerra do Paraguai. Ele foi incluído no livro em 11/6/2005

  • Reprodução/Museu do Amanhã

    Alberto Santos Dumont

    O pai da aviação Santos Dumont está entre um dos homenageados do livro, desde 26/7/2006. O mineiro nascido em 20 de julho de 1873 foi uma das primeiras pessoas do mundo a pilotar um balão dirigível com motor e gasolina. Apesar de haver discordâncias sobre Santos Dumont ter inventado ou não o avião (os irmãos Wright que o teriam inventado), o aeronauta contribuiu e muito para o campo, principalmente com o seu modelo 14-bis, famoso mundialmente

  • Reprodução/Governo Federal

    José Bonifácio de Andrada e Silva

    José Bonifácio de Andrada e Silva atuou fortemente pela independência do Brasil, sendo um estadista importante para que a colônia deixasse Portugal e se consagrasse como um país livre. Em 21/4/2007, entrou para o livro e, em 2018, foi proclamado oficialmente o Patrono da Independência

  • Wikipédia

    Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo, o Frei Caneca

    Mais conhecido como Frei Caneca, o Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo está no livro dos heróis desde 11/10/2007 e é enxergado como um dos líderes da Revolução Pernambucana (1817) e da Confederação do Equador (1824), ambos movimentos libertários que queriam a separação de Brasil e Portugal. É conhecido pelo apelido Frei Caneca pela sua frase: "Quem bebe da minha caneca tem sede de liberdade!"

  • Wikipédia

    Marechal Manuel Luís Osório

    O Marechal Manuel Luís Osório, herói da Guerra da Tríplice Aliança e o patrono da Arma de Cavalaria do Exército brasileiro, também está no livro de heróis. Ele foi incluído em 27/05/2008

  • Wikpédia

    Ildenfonso Pereira Correia, o barão do Serro Azul

    Incluído em 16/12/2008 no livro de heróis da pátria, Ildenfonso Pereira Correia, o barão do Serro Azul, foi um empresário brasileiro morto durante a Revolução Federalista, que buscava maior independência frente a nova república. Ele também foi o maior exportador de erva-mate do Brasil

  • Reprodução/Plano Brasil

    Brigadeiro Antônio de Sampaio

    Em 24/4/2009, quem passou a figurar no livro de heróis foi o brigadeiro Antônio de Sampaio, por sua atuação na Guerra da Tríplice Aliança. O conflito, considerado um dos maiores da América do Sul, ocorreu entre o Paraguai e a Tríplice Aliança, composta por Brasil, Argentina e Uruguai

  • Reprodução/Franciscanos ? RS

    Sepé Tiaraju

    Guerreiro indígena e considerado santo popular, Tiaraju foi o principal nome da resistência ao avanço dos colonizadores e bandeirantes no território dos Sete Povos das Missões, no Rio Grande do Sul. Sepé Tiaraju, batizado pelos espanhóis como Joseph Tyarayu, ficou conhecido por resistir bravamente aos ataques militares portugueses e espanhóis aos povos das colônias. Sua inscrição no livro se deu em 21/7/2009

  • Reprodução/Donna Loop

    Anna Justina Ferreira Nery

    Presente no livro desde 02/12/2009, Anna Nery era uma enfermeira que atuou na Guerra do Paraguai. Para acompanhar seus filhos no combate, Anna passou a prestar serviços nos hospitais do Rio Grande do Sul. Sua atuação foi tão importante e que ficou reconhecida como a pioneira da enfermagem no Brasil

  • Reprodução/Museu da Comunicação Hipólito José da Costa

    Hipólito José da Costa Furtado de Mendonça

    Patrono da Imprensa, Hipólito José da Costa fundou o primeiro jornal brasileiro, o Correio Braziliense ou Armazém Literário, que circulou de 1808 a 1823. Com seu jornal, propagava os ideais liberais e cobria as revoluções que levariam à Independência do Brasil. Entrou no livro dos heróis em 05/7/2010

  • Reprodução/SaoMateusNews

    São José de Anchieta

    O Padre Anchieta, hoje São José de Anchieta, foi um jesuíta espanhol e um dos fundadores da cidade de São Paulo. Ele passou a fazer parte do livro de heróis da Pátria em 05/7/2010

  • Reprodução/UOL Educação

    Getúlio Dorneles Vargas

    Presidente do Brasil de 1930 a 1945 e, depois, de 1951 a 1954, Getúlio Vargas está no livro de heróis desde 15/7/2010. Vargas foi um dos líderes da Revolução de 1930 que pôs fim à República Velha

  • Reprodução/Geledés

    Conjuração Baiana

    Além de nomes famosos, a lista de heróis também inclui grupos de pessoas. É o caso da Conjuração Baiana, movimento de caráter popular que, no final do século 18, defendia a independência e o fim da escravidão. Os heróis deste movimento são João de Deus do Nascimento, Lucas Dantas de Amorim Torres, Manuel Faustino Santos Lira e Luís Gonzaga das Virges e Veiga, inscritos desde 04/3/2011

  • Reprodução/Medium

    Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo (MMDC)

    Mário Martins de Almeida, Euclides Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Américo Camargo de Andrade são os heróis paulistas da Revolução Constitucionalista de 1932, revolta ao governo de Getúlio Vargas. Os heróis também são conhecidos pela sigla MMDC e estão no livro desde 20/6/2011

  • Wikipédia

    Júlio César Ribeiro de Souza

    Inventor, Júlio César Ribeiro de Souza também foi pioneiro na dirigibilidade aérea, construindo o balão dissimétrico. Ele foi incluído no livro em 15/7/2011

  • Reprodução/Jornal Opção

    Heitor Villa-Lobos

    Maestro e compositor, Heitor Villa-Lobos é um dos principais nomes da música no Brasil e está no livro dos heróis desde 26/7/2011. Carioca, Villa-Lobos fez parte do movimento modernista e compôs suas obras incorporando elementos das culturas regionais, populares e indígenas

  • Wikipédia

    Domingos José Martins

    Um dos líderes da Revolução Pernambucana de 1817, movimento emancipacionista contra a Coroa Portuguesa, Domingos José Martins foi incluído no livro de heróis do Brasil em 15/7/2011

  • Wikipédia

    Padre Roberto Landell de Moura

    O Padre Landell ficou conhecido por suas invenções e sua atuação na ciência: ele foi um dos primeiros no mundo a conseguir a transmissão de som por meio de ondas eletromagnéticas. Suas descobertas seriam a base para o telefone e o rádio. Ele está no livro dos heróis desde 27/4/2012

  • Reprodução/Xapuri

    Ana Maria de Jesus Ribeiro (Anita Garibaldi)

    Heroína da Guerra dos Farrapos, Anita Garibaldi é uma das mulheres que estão no livro, desde 30/4/2012. Ana Maria de Jesus Ribeiro se tornaria Anita Garibaldi após se casar com o revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi. Junto ao marido, lutou na Revolução Farroupilha, movimento republicano contra o Império no Brasil, e também na unificação da Itália, ficando conhecido como a heroína de dois mundos

  • Reprodução/Congresso Brasil Paralelo

    Heróis da Batalha dos Guararapes

    Os heróis da Batalha de Guararapes, batalha entre holandeses e defensores do Império Português na região do Morro de Guararapes, em Pernambuco, estão no livro desde 06/8/2012. São eles: Francisco Barreto de Meneses, João Fernandes Vieira, André Vidal de Negreiros, Henrique Dias, Antônio Filipe Camarão e Antônio Dias Cardoso

  • Reprodução/Fundação Caio Martins

    Caio Vianna Martins

    Inscrito no livro em 17/9/2012, Caio Vianna Martins foi um escoteiro brasileiro considerado um exemplo para todo o movimento, por sua atuação heroica durante um acidente de trem em 1938, no qual 40 pessoas acabariam mortas, incluindo o próprio Caio

  • Wikipédia

    Joaquim Nabuco

    Incluído em 02/6/2014, Joaquim Nabuco é também um dos heróis nacionais. Um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, ele foi um intelectual importante para o movimento da abolição da escravatura no Brasil

  • Wikipédia

    Bárbara Pereira de Alencar

    Bárbara Pereira de Alencar é a primeira presa política do Brasil, na época dos confrontos emancipacionistas contra Portugal, como a Revolução Pernambucana e a Confederação do Equador. A pernambucana, que é avó do escritor José de Alencar, foi incluída no livro em 22/12/2014

  • Reprodução/Portal FEB

    Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon

    O Marechal Rondon foi incluído no livro em 30/6/2015 e foi um sertanista responsável por expandir os caminhos na Região Centro-Oeste. Em homenagem a ele, foi dado o nome de Rondônia ao estado brasileiro

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    Leonel de Moura Brizola

    Considerado um grande nome da esquerda e do movimento trabalhista, Leonel Brizola foi governador dos estados do Rio de Janeiro, em 1983 e 1991, e do Rio Grande do Sul, em 1959. Ele está no livro dos heróis desde 28/12/2015

  • Reprodução/Mulheres Notáveis - Blogger

    Clara Filipa Camarão

    Em 27/3/2017, passou a figurar o nome de Clara Filipa Camarão. Nascida no século 17, ela foi uma indígena que se tornou líder de um pelotão feminino durante as invasões holandesas em Recife

  • Wikipédia

    Jovita Alves Feitosa

    Jovita Alves Feitosa se alistou para a Guerra do Paraguai vestida de homem, para conseguir lutar nas trincheiras. Ela foi descoberta, mas acabou indo para a batalha mesmo assim, tornando-se heroína nacional, reconhecida em 27/3/2017 como tal

  • Wikipédia

    Zuleika Angel Jones, a Zuzu Angel

    A estilista Zuzu Angel, famosa pelo seu trabalho no mundo da moda, ficou também reconhecida por outra atuação. Era mãe do militante político Stuart Angel Jones, desaparecido durante a Ditadura Militar de 1964. Zuzu Angel foi um dos símbolos da busca pelos desaparecidos políticos e contra a ditadura militar, inscrita no livro em 12/4/2017

  • Wikipédia

    Joaquim Maria Machado de Assis

    Machado de Assis foi um dos maiores escritores de toda a literatura brasileira. Carioca e de família pobre, o escritor foi também um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Ele está no livro dos heróis do Brasil desde 21/12/2017

  • Wikipédia

    Antônio Carlos Gomes

    O maestro Carlos Gomes é um dos grandes nomes da música brasileira, fazendo muito sucesso em toda a Europa. Ele foi o primeiro brasileiro a apresentar suas obras no Teatro alla Scala, importante teatro em Milão, na Itália. Carlos Gomes foi incluído no livro em 26/12/2017

  • Reprodução/Sape Prefeitura

    João Pedro Teixeira

    No ano de 2018 também já foram incluídos alguns nomes. Um deles é João Pedro Teixeira, incluído em 8 de janeiro, líder das ligas camponesas na Paraíba, movimento que luta pela reforma agrária no Brasil e a favor dos pequenos produtores rurais. Foi morto em 1962 a mando de um grupo de latifundiários

  • Wikipédia

    José Feliciano Fernandes Pinheiro

    Outro nome incluído em 08/1/2018 foi o de José Feliciano Fernandes Pinheiro, um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). O instituto é um importante órgão das ciências sociais e da preservação histórico-geográfica e cultural no Brasil

  • Wikipédia

    Euclides da Cunha

    Primeiro-Tenente Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha, mais conhecido simplesmente por Euclides da Cunha, foi um jornalista e escritor que cobriu os eventos da Guerra de Canudos, publicando em seguida o livro "Os Sertões", uma das obras mais importantes da literatura brasileira. Ele está no livro de aço desde 15/1/2018

  • Reprodução/Asilo Irmão Joaquim

    Joaquim Francisco da Costa

    Joaquim Francisco da Costa, o Irmão Joaquim, foi incluído no livro também em 15/1/2018. Ele ficou conhecido por arrecadar esmolas que serviriam para a fundação do primeiro hospital de Santa Catarina, em 1789. Hoje, o local funciona como um asilo

  • Reprodução/Wikipédia

    Luís Gonzaga Pinto da Gama

    O Patrono da Abolição da Escravidão do Brasil foi homenageado e incluído no livro em 16/1/2018. Luís Gama foi escravo até seus dez anos de vida, analfabeto até 18 e se tornou um dos grandes escritores e intelectuais do movimento abolicionista brasileiro