sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Presidente eleito da Câmara de Vereadores, Guinha de Pascoal, fala ao povo araciense




 O vereador Guinha de Pascoal, no seu quarto mandato, irá presidir a Câmara Municipal no próximo biênio, a partir de 01 de janeiro de 2023.

O novo presidente demonstra agilidade, qualidade que irá favorecer uma câmara mais dinâmica e atenta às demandas de interesse popular. Espera-se, também, que o presidente Guinha aproxime mais a Casa Legislativa  da comunidade araciense indo além dos trabalhos internos que cada parlamentar exerce. 

A Casa do Povo, como também é chamada, deve está constantemente comprometida com o desenvolvimento municipal, assunto muito pautado por Guinha na tribuna, e isso deve transpor os trabalhos da Câmara para novos compromissos sociais.
 O presidente Guinha terá a honra de ser o presidente do Legislativo municipal no ano em que se comemora os 150 anos de história da atuação de vereadores como representantes do povo araciense.

Os primeiros vereadores do distrito do Raso  foram empossados no ano de 1873, na Câmara de Tucano. Vale lembrar que o Raso pertenceu a Tucano até 1890. A valorização da história do legislativo há de enaltecer a contribuição deixada por tantos vereadores que já tiveram ou têm mandato.

Ao novo presidente, desejamos sabedoria e discernimento para conduzir bem a Câmara Municipal.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

História de Santa Cruz Cabrália: de 1500 a 1962

 Arôvel Lima de Oliveira
Historiador

Igreja Matriz de Nossa enhora da Conceição em Santa Cruz Cabrália

No lugar Coroa Vermelha, onde, a 1º de maio de 1500, Cabral mandou erguer a Cruz com armas e divisas de Portugal, come~a a hist6ria de Santa Cruz Cabnilia. Trinta e quatro anos depois, por Carta Regia de 27 de maio, foi o território doado a Pero de Campos Tourinho, como parte da Capitania de Porto Seguro. Tendo chegado ao Brasil em 1535, o donatario fundou a primeira povoação de Santa Cruz na enseada da baia, lugar onde existia, possivelmente, pequeno forte, construindo igreja e outras benfeitorias. Na vespera do Natal do ano de 1564, a povoação foi arrasada pelos Aimores, sendo trucidados quase todos os que se encontravam no templo, assistindo a missa do galo. A povoação entrou em decadência, mudando-se os habitantes para as margens do rio Sernampetiba, onde residia o portugues Joao de Tiba, ali estabelecido desde 1530. Fundou-se nova povoação com o nome de Santa Cruz, elevada a categoria de Freguesia pelo Alvara de 2-12-1795. O Municipio localiza-se na zona fisiográfica do extreme sul do Estado. Limita com o oceano Atlantico e com os municipios de Belmonte e Porto Seguro. A sede municipal, a 5 metros acima do nivel do mar, dista 351 quilômetros, em linha reta, da Capital do Estado.

Com território desmembrado de Porto Seguro, o municipio foi criado em 29 de novembro de 1832, por decreto da Assembleia Provincial. Reincorporado ao Municipio de origem pelo Decreto nº. 7 497, de 8-7-1931, foi restaurado pelo de numero 8 594, de 4-8-1933. Em 1960, constituia-se de 2 distritos: Santa Cruz Cabralia (sede), elevada a categoria de cidade pelo Decreta-lei estadual n. 0 10 724, de 30-3-1938, e Gabiarra. 

Inicialmente sob jurisdição de Porto Seguro, desde a criação dessa Ouvidoria, em 1763, e posteriormente, quando a ouvidoria foi transformada em comarca, vem sendo alternadamente termo de comarca de Porto Seguro e de Belmonte, a que se acha atualmente subordinada. Conta com quatro cartórios, sendo dois de registro civil. 


Local onde foi celebrada a primeira missa no Brasil

Segundo dados preliminares do Censo de 1960, o municipio apresenta um incremento demografico de 94,3% sobre os resultados obtidos no Censo de 1950. Sua população atual é de 10 903 habitantes, dos quais 9 429 (cerca de 86,5%) estão na zona rural. O Municipio conta com 1 811 habitações, cabendo em media cerca de seis moradores para cada domicilio. Com uma área de 2 697 quilometros quadrados, e de 4 habitantes por quilometro quadrado a densidade demografica do Municipio.

De topografia acidentada, Santa Cruz Cabralia tem seu ponto culminante na serra da Gabiarra, aos 400 metros de altitude. Entre os rios destacam-se o Joao de Tiba, com cerca de 135 quilometros de percurso, em cuja bacia se encontram as principais quedas d'agua do Municipio; o Mutari, rio histórico, onde Cabral abasteceu a esquadra, descrito por Pero Vaz Caminha; Santo Antonio e Gabiarra.

O clima é quente e seco na zona baixa e bastante agradavel no interior. A temperatura media anual varia entre maximas de 38°C e minimas de 10°C. 

Em Santa Cruz Cabralia há dois campos de pouso para pequenos aviões, com pistas de 500 metros. Dois portos fluviais (no rio Joao de Tiba) e a BR-5, que corta o Municipio a leste da sede distrital de Gabiarra, permitem, também, o acesso a outras comunas. Salvador está a 456 km por via aérea, dos quais 72 km ate Belmonte, em taxis-aereos. Pode-se ir também por estrada de rodagem até Porto Seguro (43 km) e daí pelos vapores da Cia. Navegação Baiana (mais 296 milhas), com escalas em Canavieiras e Ilheus. 

A assistencia medico-sanitaria é prestada por 1 posto de saúde mantido pelo Estado. Há 1 médico no exercicio da profissao e 1 farmácia, no distrito de Gabiarra. O Municipio integra o setor nº 10 do Departamento Nacional de Endemias Rurais, sediado em Ilheus.

A paróquia é consagrada a Nossa Senhora da Conceicção de Santa Cruz Cabrália. Em 1960 havia 2 capelas públicas e uma semipublica.

O valor da produção agricola, em 1959, ascendeu a 57,3 milhoes de cruzeiros, destacando-se o coco-da-baia (33 mil centos) e o cacau (8 000 sacos de 60 kg) , que representaram, respectivamente, 35 % e 30% do referido valor. Com menor contribuic;ao o feijao ( 14% ) , a cana-de-ac;ucar (9 % ), a mandioca (6 % ) e o milho (3 % ).

A população pecuária, em 1959, foi avaliada em 110 milhoes de cruzeiros, correspondendo aos bovinos e suinos 92% desse valor. Dos primeiros, havia 12 600 cabeças; de suinos, 20 000. A industria local tem pouca expressão. Produziu, em 1958, um milhao de cruzeiros, ocupando 25 operários, em media mensa!. O beneficiamento de madeira e da piaçava são os ramos mais destacados e Ilheus e Salvador os seus mercados mais importantes. Segundo dados referentes a 31-12-61, o ensino primario dispoe de 14 unidades escolares para igual número de professores, com 500 alunos matriculados no inicio do ano. 

Há uma biblioteca com mais de 1 000 volumes. Constituem pontos de interesse turistico, pelas reminiscencias históricas que encerram, a "Coroa Vermelha", local da primeira missa no Brasil, a igreja construida pelos jesuitas em 1630, com a sua custodia de ouro, prata e brilhantes, com quase um metro de altura, e a cruz fincada pelos capuchinhos em 3 de março de 1898, em comemoração ao descobrimento. O Departamento dos Correios e Telegrafos e o sistema estatistico nacional ( IBGE) passuiam  agencias no Municipio.

Fonte: Biblioteca do IBGE


Araci: barracão, catavento e matriz na praça na década de 1920.

Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Raso em Araci

 

Igreja Matriz Araci

Igreja Matriz Araci

Igreja Matriz Araci

Igreja Matriz Araci

Igreja Matriz Araci

Igreja Matriz Araci

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Bernardino José de Souza

 


BERNARDINO JOSÉ DE SOUZA


Grande cientista social


Autor: Gilfrancisco Santos

Professor de geografia, historiador e etnógrafo sergipano, Bernardino José de Souza (1884-1949), autor de muitas contribuições preciosas sobre a nossa terra e o nosso povo (Dicionário da terra e da Gente do Brasil; O Pau-Brasil na História Nacional; Ciclo do carro de bois no Brasil, dentre outros), continua ignorado por seus conterrâneos, apesar de ser referência importante no acervo bibliográfico em língua portuguesa. Em 1934, alcançara um merecido vôo para o Rio de Janeiro, onde assumiu alguns cargos públicos, como de Ministro do Tribunal de Contas da União. A obra de Bernardino de Souza, publicada em opúsculos e livros é constituída de discursos, proferidos em eventos memoráveis ou efemérides gloriosas, conferências, comunicações, memórias históricas, relatórios e artigos publicados nos jornais e revistas.


Nascido no Engenho Murta, Vila Cristina, hoje Cristinápolis, Sergipe, nos limites da Bahia, a 8 de fevereiro de 1884, Bernardino José de Souza, filho do coronel Otávio de Souza Leite, tipo representante da aristocracia rural do Império e Filomena Maciel de Faria, aprendeu às primeiras letras na fazenda com a professora Maria Sá Cristina de Gouvêa.


O jovem Bernardino chega a capital baiana juntamente com o pai, em 1897, aos doze anos, para interná-lo no Colégio Carneiro Ribeiro, situado no velho casarão da ladeira da Soledade, dirigido pelo grande filólogo. Feito os preparatórios matriculou-se em março de 1900, na Faculdade Livre de Direito da Bahia (hoje incorporada à Universidade Federal da Bahia), bacharelando-se a 6 de dezembro de 1904, sendo escolhido pelos colegas orador da turma de bacharelandos.


Após a sua formatura, casa-se em 8 de julho com d. Maria Olívia Carneiro de Souza, filha de Carneiro Ribeiro e logo se entrega ao magistério, sendo nomeado professor de matérias de sua predileção: Geografia (1905); História Universal e do Brasil em 1906, do conceituado Colégio carneiro Ribeiro. Nesse último ano foi convidado para reger uma das cadeiras do Instituto de Ciências e Letras.Inscreveu-se na Faculdade de Direito para concurso de lente substituto da 2ª seção e logrando aprovação, veio a ser nomeado pela congregação, por acesso, em 5 de abril de 1915, professor catedrático de Direito Internacional Público; Diplomacia e Direito Internacional Privado e Direito Público e Constitucional.


Em virtude da Lei orgânica do Ensino de 1911, passou a ser lente extraordinário da 1ª seção, compreendendo aquelas duas cadeiras e mais a de Enciclopédia Jurídica.
Como político, deputado estadual em duas legislaturas, a 8ª, de 1905 a 1906 e a 9ª, de 1907 a 1908. Na qualidade de professor do Educandário dos Perdões, Escola Normal, e equiparada em 1911, foi nomeado para lecionar Geografia e História. Bernardino de Souza ensinou em diversos estabelecimentos particulares de ensino. Foi Catedrático de História Universal no Ginásio da Bahia, do qual foi diretor em 1925.


Bernardino dirigiu a Faculdade de Direito da Bahia de 1929 a 1934, ano em que foi nomeado, por decreto de 9 de março, membro da Câmara de Reajustamento Econômico, no Rio de Janeiro, onde fixou residência. De 18 de fevereiro a 15 de agosto de 1931 foi secretário do Interior e Justiça, Instrução, Saúde e Assistência Pública, durante a interventoria de Artur Neiva (1880-1943).


Nomeado ministro do Tribunal de Contas da União, do qual foi presidente, nele permaneceu até falecer em 1949, na capital federal, vivendo seus últimos quinze anos.


Oriundo da aristocracia agrária, de família tradicionalmente ligada a terra, não perdeu nunca o seu sentido da vida rural, a paixão pelos seus encantos, que constituíram estímulo e inspiração de numerosos estudos seus. A terra e a gente do Brasil era sua paixão, aquilo que constituiu sua razão de ser. Severo e honesto em todas as suas atividades, conhecia profundamente tudo o que ensinava. Graças a Bernardino de Souza, os estudos brasileiros tiveram uma contribuição rara. Prático, era dotado de energia e vontade para execução dos seus ideais. Ou como bem definiu o educador baiano Anísio Teixeira (1900-1971):


"Bernardino José de Souza foi um homem bem representativo do nordeste, da zona semi-árida onde nasceu na fronteira entre Bahia e Sergipe. Não tinha aquela "maciez" dos baianos, ou dos nortistas "amaciados" pela Bahia, da observação penetrante de Gilberto Freyre. Bernardino, como Rodrigues Dória, foi um sergipano cheio de ímpetos, e de até violências, postos a serviço de grandes causas. Renovou, material e intelectualmente, duas instituições culturais de grande porte: a Faculdade de Direito (onde é atualmente a sede da Ordem dos Advogados, depois de ter sido o prédio ocupado pela Escola de Administração da UFBA e pelo Fórum Federal) e o Instituto Histórico da Bahia. Sozinho, construiu palácios para ambos, abrindo-lhes novos rumos".
Apaixonado, desde cedo, pela geografia, Bernardino José de Souza participou com brilho excepcional de todos os congressos nacionais da especialidade. Foi realmente, antes de tudo um geógrafo. Portanto, não foi somente um homem de idéias, mas, sobretudo de ideais.
No longo prefácio de 21 páginas, escritas por Teodoro Sampaio para o livro Por Mares e Terras (leituras geográficas), de 1913, o experiente geógrafo e historiador baiano comenta o seguinte: "As Leituras Geográficas do Dr. Bernardino de Souza, construídas por uma série de artigos, aparentemente desconexos, lançados nos moldes superiores da boa doutrina, da linguagem castigada e vibrante de juvenil entusiasmo e de patriotismo, vêm assim, atalho, agita questões que mais de perto se prendem ao desenvolvimento nacional, no que ele reclama do melhor conhecimento do nosso próprio território, pelo estudo mais acurado da Geografia Pátria, pelos problemas científicos de que cogitam, pelas sugestões de caráter político-administrativo que elas lembram, pela novidade de certas investigações que manifestam". E encerra à apresentação desta coletânea geográfica, de Bernardino de Souza dizendo que é "fruto de vocação e de entusiasmo de um cultor sincero da geografia, encontre no meio culto da nossa terra àquela boa acolhida a que faz jus toda a boa ação desinteressada e patriótica, qual a de estudar e divulgar a ciência, despertar energias e preparar o futuro, são os meus votos".


Morto em 11 de janeiro de 1949 no Rio de janeiro, o féretro saiu à tarde do dia seguinte de sua residência, à Rua Cândido Gaffrée, 196, para o Cemitério São João Batista. Bernardino de Souza deixou viúva, Maria Olívia Carneiro de Souza e os filhos Maria Berenice Carneiro de Souza (funcionária da ONU, nos Estados Unidos da América), Selene Maria de Souza Medeiros (poeta, casada com José Cruz Medeiros) e Sindoro Carneiro de Souza (engenheiro civil do Conselho de Águas e Energia Elétrica). O professor deixou ainda dez irmãos residentes entre os Estados da Bahia, Rio de Janeiro e Sergipe.


Obras-Primas (O pau-brasil na história nacional) - o pau-brasil, hoje árvore rara, era intensamente procurado nos tempos coloniais para a extração do corante vermelho brasilina, que, depois de extraído, oxida-se, dando a brasileina; usava-se esse corante para tingir tecidos e fabricar tinta de escrever. Hoje em dia, a madeira fornece é empregada apenas na fabricação de arcos para violino, motivo pelo qual é exportada, em pequena escala.


O livro é resultado da tese apresentada por incumbência do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro para o III Congresso de História Nacional (1938). Publicado no ano seguinte, a esse estudo valioso, específico, que abarca o problema em sua totalidade, foi acrescida de um capitulo do cientista Artur Neiva e de um parecer de Oliveira Viana. O historiador e professor Américo Jacobina Lacombe (1909-1993), diretor da coleção "Brasiliana", responsável pela edição do livro, disse que ele "representou para os estudiosos da primeira fase de nossa história econômica, sabem-no todos os estudiosos do país".


O Pau-Brasil na História Nacional é um admirável estudo de Geografia Humana, com toda a influência econômica e social do espécime da nossa flora que batizou o país. É um rigoroso trabalho de pesquisa, inficiente para modificar o conceito até então firmado, de que o ciclo econômico do pau-brasil esteve circunscrito ao século XVI. A documentação revelada demonstra que tal ciclo veio até o último quartel do século XIX. Na verdade o pau-brasil teve significado na história, refletindo-se em vários aspectos, pois fez muito mais do que contribuir para o nome do país.


(o ciclo do carro de bois no Brasil) - o carro de bois foi o primeiro veículo que rodou em terras brasileiras, introduzido pelos portugueses. Seu surgimento e seu emprego estiveram estreitamente ligados à indústria canavieira. Nos séculos XVII e XVIII, monopolizou quase todo o transporte por terra no Brasil. No século XIX, ainda era o principal veículo de transportes pesados por terra. Apesar do desenvolvimento dos transportes mecanizados e do surgimento e expansão das ferrovias, o carro de bois no século XX continuou largamente utilizado, sobretudo no interior.


O projeto para a realização desse livro exigiu de Bernardino todas as reservas de homem de ação e as qualidades do sociólogo, do historiador, do geógrafo, do folclorista. Foi a saudade do Engenho Murta que deu a Bernardino forças necessárias para elaboração do livro. Ciclo do carro de boi no Brasil é na verdade um reencontro com as coisas do seu passado. Disse Bernardino de Souza:
"Este livro foi elaborado com o pensamento nas duras e generosas lidas dos agricultores do Brasil, em cujas fileiras se inscrevem ao meu alcance, todos os meus antepassados. Por isso mesmo o esforço e consagro a todos os lavradores do país, ricos e pobres, proprietários e jornaleiros: quero apenas significar-lhes a veneração que tributo a quantos, poder a poder, desde os albores da Pátria, tem desbravado, semeado e regado de suor, permitindo-lhe o crescimento modesto e sóbrio, mas seguro e honesto, através de quatrocentos anos de jornada ao sol da civilização".
Sobre o livro afirma Anísio Teixeira em uma de suas abras: "apresenta muitos pontos de contato com as obras materiais que realizou. É uma pesquisa em profundidade, com material planejado e reunido pelo autor, material este que normalmente exigiria uma equipe distribuída pelos quatro cantos do país.


A indomável energia de Bernardino de Souza conseguiu emoldurar um vasto painel, cheio de variantes no tempo e no espaço, e transforma-lo em obra monumental de arte e de pensamento a um só tempo: inspiração para o artista e instrumento de trabalho para o cientista social".


Portanto, Ciclo do carro de bois no Brasil, escrito com o mais completo rigor científico, continua até hoje sendo o de maior utilidade para a compreensão da vida econômica do país em todos os tempos. Concluída a longa pesquisa, vieram às desilusões quanto à publicação imediata. Apesar de ter recorrido a várias editoras, instituições, órgãos de cultura, Bernardino de Souza não viu o seu maior projeto publicado.Idéias/ideais - Bernardino promoveu a construção, no bairro da Lapinha, de um pavilhão onde hoje se conserva ainda a figura lendária das páginas da Independência da Bahia (1823). Os carros alegóricos do caboclo e da cabocla são conduzidos pelo povo ao Campo Grande, em 2 de julho. Entre as grandes realizações do grande estudioso está à construção do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e da Faculdade de Direito da Bahia, que realizou com esforço inaudito, empreendendo-se excursões pelo interior da Bahia a fim de angariar donativos, fazendo conferências e promovendo espetáculos até vê-los instalados em prédios condignos.


Em virtude dos considerados ou relevantes serviços prestados à terra de Rui Barbosa (1849-1923), a congregação da Faculdade de Direito, por resolução de 27 de outubro de 1937, conferiu-lhe os títulos de Professor Emérito e Benemérito da Faculdade. Seus trabalhos refletem todo o gosto e o amor pela terra baiana, onde fez toda a sua formação intelectual. De modo que suas obras, revestidas de exaltação incontida, eram, ao mesmo tempo, de precisão heurística intocável.


Bernardino de Souza especializou-se em nomenclatura geográfica, produzindo várias monografias na matéria e, a final, um livro clássico: Onomástica geral da geografia brasileira (1927) e republicada em 1939 com o título de Dicionário da terra e da Gente do Brasil. O pesquisador sergipano foi sócio correspondente do Instituto Arqueológico e Geográfico de Pernambuco; do Instituto Histórico de São Paulo; do Instituto de Minas Gerais e membro correspondente da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro e outras sociedades nacionais e estrangeiras. Colaborou em vários periódicos baianos: Diário de Notícias; Jornal de Notícias; Via-Láctea; Revista da Academia de Letras da Bahia; Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Revista da Faculdade de Direito da Bahia, Revista Bahiana de Doutrina, Jurisprudência, dentre outros.


Por Gilfrancisco Santos em  5 DE MAIO DE 2009
Jornalista, pesquisador e professor membro do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe.
http://secbahia.blogspot.com/2009/05/bernardino-de-souza.html

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Origem de Serrinha na Bahia

 Texto de  http://emserrinha.blogspot.com/2011/04/historia-de-serrinha.html



Serrinha teve seus primeiros habitantes os índios Cariri, designação dada as primeiras famílias de línguas indígenas do sertão do Nordeste, o grupo de etnia local mais presente eram os Biritingas. Entretanto foi a chegada do português Bernado da Silva, comandante de uma expedição de colonização portuguesa, em 1715, que a organização urbana da cidade se deu. Assim, foi iniciada a construção de uma capela sob a invocação da Senhora Santana, já que a igreja católica estava diretamente ligada ao processo de colonização realizada pelos portugueses. A capela era filiada a freguesia de São João de Água Fria. A esse tempo o povoado já possuía 16 casas cobertas de telhas de cerâmica e servia de pousada aos visitantes, comerciantes e tropeiros que se destinavam ao Rio São Francisco, sendo que por haverem na época algumas nascentes, muitos dos viajantes tinha na região um local de descanso para eles e os animais (gado).
Em 1º de junho de 1838, a lei nº 67 criou o Distrito de Paz de Serrinha, e levou a capela à categoria de paróquia própria, pelo Arcebispo D. Romualdo Antônio Seixas. Em 24 de outubro de 1763 foi nomeado capelão o Pe. Antônio Manuel de Oliveira.
Presume-se que o ano de 1646, a igreja católica deu início ao processo catequisação dos índios Biritingas, os quais viviam na região.
Pela Lei Provincial nº1.069 de 13 de junho de 1876, foi o Arraial de Serrinha elevado a categoria de Vila e criado o Município de Serrinha, com território desmembrado do município de Purificação dos Campos, sendo inaugurada a 11 de janeiro de 1877. A Vila de Serrinha recebeu foros de "cidade" pelo Ato Estadual de 30 de junho de 1891, assinado pelo Barão de Lucena, fato que constou da data de 04 de junho de 1891 do Conselho Municipal de Serrinha. A instalação solene da cidade ocorreu em 30 de agosto de 1891 segundo consta da Ata do Conselho Municipal de Serrinha do referido dia.



Antiga fábrica de tecelagem de Serrinha - Hoje o atual Colégio Estadual Rubem Nogueira.
Praça Luiz Nogueira

Grande Hotel de Serrinha, atendia a estação ferroviária da cidade, mais luxuoso hotel que a cidade possuia. Hoje o Hospital Geral de Serrinha

Estação Ferroviária de Serrinha.

GEOGRAFIA DE SERRINHA

A cidade de Serrinha se localiza a 173 quilômetros a noroeste da Capital da Bahia, Salvador. Conhecida como a entrada do sertão baiano, fica a aproximadamente 379 metros de altitude. Local de um clima agradável e boa hospitalidade.
A cidade possui uma vegetação mista, nas áreas de serra predomina-se características de floresta estacional, uma transição da Mata Atlática com o serrado, sendo comum árvores de medio porte com até 15 metros de altura, como as Massarandubas, Jurema, Umbuzeiros, Juazeiro, Angico. Porém são regiões que sofrem bastante com o desmatamento, pela necessidade de famílias que tem sua renda na retirada de lenha das matas, sendo poucos os lugares que ainda se encontra uma mata preservada.
Em regiões mais baixas aparece uma mescla de floresta estacional com a caatinga, sendo visível sua mata de cor acizentada em boa parte do ano, com muitos arbustos espinhosos e bromélias.
O clima do Município varia entre o semiárido e o sub úmido, com uma temperatura média entre 24ºC a 32ºC no verão e no inverno entre 15ºC e 28ºC. Possuindo noites muito frias.

Blog Ciência em Sefrias.


Trecho da praça Manoel Vitorino (Atual Luiz Nogueira)
Após trabalharmos por duas semanas com as turmas de segunda, terça e quarta com a história de Serrinha, conseguimos produzir esse texto contando um pouco sobre o que achamos. Pesquisamos na internet (Sites como o da Prefeitura de SerrinhaBlog do Samuel Pedro entre outros sites) e em livros (Minhas lembranças de Serrinha - Glorinha Valverde; Serrinha A colonização portuguesa numa cidade do sertão da Bahia - Tasso Franco; e Conhecendo Serrinha História & Geografia - Produzido pela UEFS).




História de Serrinha

Primeiros Moradores:

Serrinha tem como seus primeiros habitantes os índios da nação Cariris, designação dada as primeiras famílias de língua indígenas do sertão do Nordeste, o grupo de etnia local mais presente eram os Biritingas. Esses índios viviam da caça, da pesca, da coleta de frutos silvestres e do cultivo de milho e da mandioca. Os índios da região de Serrinha mudavam bastante de lugar, sempre que os períodos de seca faziam os alimentos e a água ficarem difíceis, era preciso procurar novos locais, onde houvesse comida e água para toda a tribo.

Fundadores:

O fundador foi o português Bernardo da Silva, comandante de uma expedição da colonização portuguesa. Em 1715 os colonizadores portugueses abriram a estrada dos baianos que ligava a capital da colônia com o alto sertão do São Francisco, e foi na capitania da Bahia que surgiu a fazenda Serrinha com a finalidade de criar gados e serviu de local de descanso de homens e animais. Bernardo da Silva e família tiveram o grande mérito de transformar Serrinha no povoamento mais importante da região. Por ser um homem de posse e empreendedor, além de possuir numerosa família, o local se expandiu como centro aglutinador e pousada para comerciantes e tropeiros, formando-se também um centro social e religioso.

Quando Virou Cidade


Frente da Igreja Velha
Em 1716, a formação de um pequeno núcleo residencial situado na fazenda Tambuatá, deu origem a uma povoação denominada Serrinha. Pela lei provincial numero 1.069 de 13 de junho de 1876, foi o arraial de Serrinha levado a categoria de vila e criado o Município de Serrinha com território desmembrado do município de Purificação dos Campos (atual município de Irará), sendo inaugurado a 11 de janeiro de 1877.  Logo no início da fundação da cidade, o povoado já possuía 16 casas com telhas. A vila de Serrinha recebeu o título de cidade pelo ato Estadual de 30 de junho de 1891 assinado pelo Barão de Lucena, fato que constatou da data de 8 de junho de 1891. A instalação solene da cidade ocorreu em 30 de agosto de 1891 segundo consta a ata do Conselho Municipal de Serrinha do referido dia.


Feira de Mercadoria na Praça

Festas Culturais

Em Serrinha existem diversas festas culturais, entre elas estão:

Procissão do Fogaréu – realizada desde 1932, é o momento mais esperado das festividades da Semana Santa no município pela comunidade católica.

Desfile da Vaquejada
Vaquejada – Ela é considerada um dos maiores eventos de Serrinha, participam vaqueiros e peões de toda a região. A vaquejada começou em 1967 quando Valdete Carneiro e Neném de Maroto resolveram criar um evento que significasse a benção e a confraternização dos vaqueiros da região, com o passar do tempo a festa ganhou força e prestigio e os prêmios simbólicos tonaram-se valiosos.

Coreto de Serrinha
Festa da Padroeira – A devoção a Santana vem da época dos primeiros colonizadores portugueses, sendo mantida na região do município de Serrinha por Bernardo da Silva, que segundo a tradição, construiu a capela em louvor a esta santa. Sua festa é comemorada todo ano no dia 26 de julho, com procissão saindo da igreja nova, percorrendo as principais ruas da cidade com um grande número de fiéis.
Festas Juninas – O São João é uma das festas típicas mais comemoradas do Nordeste brasileiro. Aqui em Serrinha não é diferente. Na cidade, e em quase todos os povoados, há a realização de quadrilhas durante o mês de junho, com a comemoração das festas de Santo Antônio, São João e São Pedro.
Samba de Roda – Acontece em diversos povoados na cidade de Serrinha, é uma roda de pessoas tocando instrumentos como tambor, pandeiro, cavaco, agogô, sanfona, entre outros, as outras pessoas que não estiverem tocando os instrumentos ficam dançando no centro da roda, quando está tocando o som o pessoal samba, quem não estiver sambando fica batendo palma acompanhando o ritmo da música.


Atual Escola Rubem Nogueira

Quilombo da Flor Roxa e Comunidade de Praianos

No povoado de Bela Vista, havia um quilombo denominado de Flor Roxa ou São Caetano. Os escravos que moravam lá eram fugitivos das várias fazendas existentes na região. O quilombo cresceu a ponto de incomodar os fazendeiros locais. Porque acreditaram ser este agrupamento uma ameaça as suas propriedades e um mau exemplo para os escravos que ainda estavam no cativeiro.
Formou-se na primeira metade do século XIX a sudoeste da arraial, em direção do Candeal. Foi no Sopé e no interior da serra que se instalou o quilombo. O nome Flor Roxa vem de uma planta especial que tem flores roxas, e acontece em toda parte deste território, desde os terrenos “bons” aos com grandes “lajedos”.
O senhor Miguel Carneiro da Silva líder político da época conseguiu a vinda de José Joaquim de Araújo para acabar com o quilombo. A missão de José Joaquim teve sucesso e ele destruiu o Quilombo da Flor Roxa. Esse homem veio até Serrinha para acabar com os ditos “fora da lei” mas, com o fim do quilombo tornou-se um bandido perigoso, incomodando aqueles que o haviam pago.
Ainda hoje existem vestígios deixados à muitas décadas pelos primeiros habitantes do lugar. E pelo capitão do mato.
A nomeação para Praianos começou ser dada para a comunidade por volta de 110 anos atrás – 1900 – quando se deram várias idas e vindas, a sua terra natal, onde Fermino Praiano e seus familiares partiam para as “praias como o povo aqui diz” em busca de trabalho.


Informações Geográficas

Área: 624,228 Km²
População: 76 762 hab/IBGE 2010
Altitude: 379m
Clima: Semiárido à Subúmido
Bioma: Caatinga
Distância até a Capital: 173 Km

Mais informações: IBGE

Datas Históricas


Inauguração da Ferrovia
1880 - em 18.11.1880 inaugurada a estação ferroviária de Serrinha.
1896 - em 19 de abril de 1896, Fundação da Filarmônica 30 de Junho.
1917 - inaugurado o Coreto Municipal da Praça Luís Nogueira.
1932 - Procissão do fogaréu.
1954 - Inaugurado o Colégio Estadual Rubem Nogueira - Primeiro Ginásio do interior da Bahia.
1958 - Inaugurada a Escola Normal de Serrinha.
1967 - A História da Vaquejada de Serrinha, começou na segunda semana de setembro desse mesmo ano, através dos seus criadores Valdete Carneiro e Neném de Maroto quando tornaram conhecido este tipo de evento na região.
1968 - inaugurada a sede da Vaquejada Fernando Carneiro.
1968 - Inaugurado o abastecimento de água na sede do município.
1968 - Chega a Energia elétrica.
1968 - Construído o Hospital Santa Casa de Misericórdia - Hospital Santana.
1975 - Passa a funcionar a telefonia local da cidade.
1977 - Inaugurado o Estádio Municipal Mariano Santana.
1987 - Inaugurada a Praça Morena Bela.
1987 - Inaugurada a Rodoviária.
1987 - Inaugurada a Biblioteca Municipal Edvaldo Boaventura.
1987 - Inaugurada o Campus da UNEB - Serrinha.
1996 - Filarmônica 30 de Junho completa 100 anos
1998 - Inaugurado o Ginásio de Esporte.
1998 - Conhecido como um dos mais equipados parques de Vaquejada do País, o Parque Maria do Carmo foi inaugurado em comemoração aos 30 anos de Vaquejadas em Serrinha.
2001 - Desmembrado o distrito de Barrocas.
2005 - Inaugurado o Presídio de Serrinha.
2005 - Demolido o Parque de Vaquejada Fernando Carneiro.
2007 - A Vaquejada de Serrinha completa 40 anos.

Mudanças Históricas do Território


Rua da Estação
1838 - Distrito criado com a denominação de Serrinha (Lei Provincial 67 de 1-6-1838)
1876 - Elevado a categoria de cidade com a denominação de Serrinha
1923 - Criado o distrito de Lamarão e anexado ao Município de Serrinha
1953 - Criados os distritos de Barrocas e Itapiru (ex-povoados) e anexados ao município de Serrinha.
1956 - Desmembra do município de Serrinha o distrito de Araci. Elevado à categoria de município.
1962 - Desmembrado de Serrinha o distrito de Biritinga. Elevado à categoria de município.
1962 - Desmembra do município de Serrinha o distrito Itapiru. Elevado à categoria de município com a denominação de Teofilândia.
1962 - Desmembra do município de Serrinha o distrito Lamarão. Elevado à categoria de município.

2000 - Desmembra do município de Serrinha o distrito de Barrocas. Elevado à categoria de município.

Referências

Livros: 

CAMPOS, Maria de Fátima Hanaque. Conhecendo Serrinha: História & Geografia. Feira de Santana: UEFS, 1998.

FRANCO, Tasso. Serrinha: a colonização portuguesa numa cidade do sertão da Bahia. Salvador: Ojuobá, 2008.

MEINKING, Maria da Glória Valverde. Minhas lembranças de Serrinha. Salvador: Marchete, 2002.


Endereços eletrônicos

Férias: Serrinha. Disponível em: <http://www.ferias.tur.br/informacoes/1045/serrinha-ba.html>. Acesso em: 6 jun 2013.

História de Serrinha. Disponível em: <http://www.achetudoeregiao.com.br/ba/Serrinha/historia.htm>. Acesso em: 5 jun 2013. 

IBGE. Disponível em:<http://www.ibge.gov.br/cidadesat/historicos_cidades/historico_conteudo.php?codmun=293050>. Acesso em: 10 jun 2013.

Prefeitura de Serrinha. Disponível em:< http://www.serrinha.ba.gov.br/>. Acesso em: 5 jun 2013.

Samuel Pedro: o escritor. Disponível em: <http://samuelpedroescritor.blogspot.com.br>. Acesso em: 10 jun 2013.

Vaquejada: Parque Maria do Carmo em Serrinha. Disponível em: <http://www.vaquejadadeserrinha.com.br/a-cidade-de-serrinha>. Acesso em: 10 jun 2013.